
É o bicho!Colunas

Terceira idade também é pet: 5 dúvidas comuns sobre essa fase
Com a chegada da velhice para os pets, é comum que surja preocupações para os tutores. Veterinária responde e esclarece dúvidas sobre a fase
atualizado
Compartilhar notícia

Nos últimos anos, os cuidados com animais de estimação se transformaram. Os tutores passaram a buscar mais informações sobre alimentação, higiene e saúde. Por conta disso, hoje em dia, cães e gatos podem viver por mais tempo. Com esse cenário, surgiu outra preocupação: como tratar um pet idoso?
Além de fortalecer o vínculo entre humano e amigo de quatro patas, entender as necessidades de cada bichinho faz toda diferença para garantir conforto, bem-estar e maior expectativa de vida.
Pensando nisso, a coluna É o bicho! separou respostas de uma veterinária para as cinco dúvidas mais comuns sobre essa fase.
Quais são os primeiros sinais de velhice?
A veterinária Kathia Soares explica que a idade sênior do pet varia de acordo com o porte. “Cães de raças pequenas e médias são considerados idosos a partir dos 9 aos 12 anos de idade. Já os de raças grandes e gigantes atingem a senioridade mais cedo, por volta dos 6 ou 7 anos.”
Acerca dos felinos, ela afirma que estes são tratados como geriátricos quando possuem mais de 10 anos.
“Primeiros sinais incluem redução na intensidade de brincadeiras e passeios, aumento do sono e dificuldade para levantar. Outros são mudanças no apetite, sede excessiva e, no caso dos gatos, redução na frequência de higienização”, afirma a profissional.
Pet mais lento: normal da idade ou dor?
A veterinária afirma que a lentidão nunca deve ser encarada apenas como “algo da idade”. Nos peludos idosos, é comum surgir a osteoartrite, uma doença que causa dor e pode reduzir a atividade, dificultar o movimento e impedir que o animal se levante.
“É importante ter a avaliação de um veterinário e adaptar o ambiente para facilitar a mobilidade e prevenir acidentes.” Para fazer essa adaptação, Kathia recomenda usar rampas, tapetes ou pisos antiderrapantes e camas ortopédicas, além de manter tudo em fácil acesso, pois reduz o esforço e evita quedas.

“Mantenha seu pet ativo, mas dentro dos limites dele. Caminhadas curtas e frequentes, fisioterapia e hidroterapia são excelentes opções para manter a musculatura ativa sem sobrecarregar as articulações”, alerta a profissional da MSD Saúde Animal.
Qual é a frequência dos exames de rotina?
Para a especialista, a prevenção de doenças vem antes de tudo quando se trata de um pet idoso. “Após a entrada na fase sênior, recomenda-se que os check-ups veterinários sejam realizados com mais frequência, podendo ser a cada 6 meses, no mínimo, ou de acordo com as orientações do veterinário.”
Segundo ela, essa periodicidade permite detectar precocemente condições crônicas que não apresentam sintomas tão claros, como alterações renais, cardíacas e diabetes. Por exemplo, nos gatos, a doença renal crônica é mais comum nessa fase.
Kathia ainda lembra alguns sinais que não devem ser normalizados e exigem avaliação veterinária imediata. “Perda de peso, aumento da sede ou micção, dificuldade de locomoção, incontinência e desorientação. Embora possam apresentar um ritmo mais lento, esses sinais não são considerados normais do envelhecimento.”

Como adaptar a alimentação?
Com o aumento da idade, o metabolismo do cão ou gato muda. Por isso, a alimentação deve ser adaptada para uma dieta sênior de alta qualidade. De acordo com a veterinária, é importante buscar rações que:
- Contenham menos calorias, para evitar o ganho de peso e sobrecarga nas articulações.
- Possuam mais fibras, que contribuem para a saúde intestinal.
- Tenham nutrientes essenciais para articulações (condroprotetores) e função cognitiva (ácidos graxos essenciais e antioxidantes).
- Apresentem textura e grãos adaptados para facilitar a mastigação e ingestão.
O pet está mais “esquecido” e ansioso. É normal?
Sobre o comportamento do pet, a profissional comenta que mudanças como aumento da ansiedade e “esquecimento” podem ser sinais da Síndrome da Disfunção Cognitiva (SDC), semelhante ao Alzheimer em humanos. “Pode ficar desorientado, ter alterações no ciclo de sono-vigília, esquecer comandos e ter ansiedade de separação.”

“Muitos problemas de saúde em pets mais velhos podem ser minimizados ou prevenidos se o animal tiver tido um histórico de cuidados consistentes. Isso inclui vacinação, controle de ectoparasitas, controle de peso, exercícios regulares adequados à sua fase e dieta de qualidade, todos os cuidados que tornam possível que os pets vivam mais e muito melhor”, orienta.
Ainda que seja um processo neurodegenerativo, ter um diagnóstico precoce pode garantir mais conforto para o animal. “Existem terapias, suplementos, dietas específicas e estratégias de enriquecimento ambiental que ajudam a desacelerar a progressão e melhorar a qualidade de vida”, afirma a especialista.
Kathia também reforça que o envelhecimento não precisa ser sinônimo de sofrimento para o canino ou bicho. Por último, a veterinária recomenda manter rotinas, oferecer brinquedos interativos e conversar com o veterinário sobre terapias que estimulem o cérebro do pet.










