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Serpente ameaçada da Mata Atlântica dá à luz 6 filhotes no Butantan
Ninhada de surucucu-pico-de-jaca recebe nomes que homenageiam a cultura pernambucana e o filme indicado ao Oscar O Agente Secreto
atualizado
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O Laboratório de Herpetologia do Instituto Butantan registrou o nascimento inédito, em 125 anos de história da instituição, de seis filhotes de surucucu-pico-de-jaca (Lachesis rhombeata), espécie ameaçada devido à degradação da Mata Atlântica.
Os filhotes nasceram entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, frutos do acasalamento de Olinda e Sapoti, um casal vindo de Pernambuco que foi separado estrategicamente por três meses no biotério para estimular a cópula.
“Esperamos quatro meses para fazer o exame de ultrassom, a fim de evitar qualquer estresse da Olinda com o manejo. Quando vimos que tinha fecundado, foi uma alegria imensa”, comemora a médica veterinária e pesquisadora científica do instituto, Kathleen Grego, responsável pelo projeto.
Desafios e cuidados na incubação
A gestação bem-sucedida é o resultado de mais de 20 anos de tentativas com a maior serpente peçonhenta das Américas, que sofre com o estresse no manejo. Após a postura de nove ovos em outubro de 2025, Olinda agiu como mãe exemplar ao permanecer enrodilhada sobre parte deles para garantir temperatura e umidade.
Do total, dois morreram por desidratação, um apresentou malformação e um faleceu dois meses após nascer (Timão), mas cinco cresceram saudáveis.
“O Butantan raramente possui um grupo grande e jovem de Lachesis rhombeata ao mesmo tempo”, esclarece Kathleen, citando que antes os animais chegavam em idades diferentes, o que reduzia o sucesso reprodutivo.

Batismo inspirado no cinema e na cultura
A equipe batizou os filhotes com nomes inspirados na cultura de Pernambuco e no filme O Agente Secreto, do diretor Kleber Mendonça Filho, que recebeu quatro indicações ao Oscar de 2026. As fêmeas foram chamadas de Sebastiana (personagem do longa), Pitomba (fruta típica) e Frevioca (transporte de frevo), enquanto um dos machos virou Suassuna, em tributo ao escritor Ariano Suassuna.
As únicas exceções na escolha dos nomes foram os machos Grego, em homenagem direta à pesquisadora Kathleen, e Timão, dedicado ao antigo diretor do laboratório Wilson Fernandes. Mesmo nascendo menor que os irmãos, com 47 centímetros de comprimento, o filhote Suassuna revelou-se o mais voraz e “comilão” de toda a ninhada.

Parceria estratégica para a conservação
A ida das serpentes para São Paulo, entre 2022 e 2023, ocorreu por meio de uma parceria entre o Butantan, a CPRH e a UFRPE focada na produção de soro antibotrópico-laquético e na conservação ex situ (fora do ambiente natural). Essa cooperação é considerada vital para manter polos de preservação da linhagem caso a população selvagem sofra reduções drásticas.

O sucesso com Olinda foi possível porque o instituto contou com um plantel jovem e adaptado, aliado ao uso de ultrassom para identificar o estágio reprodutivo correto. “Manter e reproduzir esses animais no Butantan e em outros institutos cria polos de preservação que garantem a manutenção da linhagem caso a população diminua drasticamente na natureza”, conclui Kathleen Grego.