Negligência diária também é um tipo de maus-tratos aos pets; entenda
Falta de passeios, isolamento e descuido com a saúde configuram maus-tratos, pois causam sofrimento e prejudicam a qualidade de vida de pets

Quando se fala em maus-tratos aos pets, muita gente associa apenas a comportamentos violentos, como agressão, mas existem algumas atitudes diárias que passam despercebidas e também podem ser qualificadas como tal. Uma delas é a negligência no cuidado com os animais. A veterinária Thays Rossignoli explica que a definição técnica envolve ações e omissões que causem dor ou desconforto ao bichinho. O problema inclui desde a falta de passeios e de higiene até o isolamento prolongado e a ausência de assistência veterinária.
Entenda
- Maus-tratos é configurado como qualquer ação ou omissão que cause dor ou sofrimento desnecessários aos pets, sem necessariamente acontecer agressão física.
- Deixar cães sem passeios e gatos sem estímulos gera ansiedade e estresse.
- Excesso de colo, ausência de limites e roupas inadequadas causam ansiedade de separação e atrapalham o controle da temperatura do corpo dos pets.
- Obesidade por excesso de petiscos, falta de escovação nos dentes e unhas grandes provocam dores articulares, infecções e encurtam a vida do animal.
- Amar o animal de estimação significa atender às necessidades biológicas e comportamentais próprias dos pets, em vez de tratá-los como humanos.
O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) define maus-tratos como qualquer ato, por ação ou omissão, que, por intenção, negligência, imperícia ou imprudência, cause dor ou sofrimento desnecessários ao animal.

Isolamento e privação de passeios afetam os pets e configuram maus-tratos
Deixar o animal trancado, sem convivência ou sem rotina de passeios prejudica a saúde física e mental. Para os cães, o passeio diário permite exercitar, farejar e explorar o ambiente, evitando frustração e destruição dentro de casa.
Já no caso dos gatos, viver em um ambiente sem brinquedos, arranhadores e locais para se esconder desencadeia estresse e doenças.
Entre no canal de WhatsApp do Vida e EstiloA ausência prolongada de tutores em casa também traz riscos físicos que passam despercebidos. “Água e comida resolvem só uma parte das necessidades”, lembra Thays. Sem o acompanhamento diário de uma pessoa, acidentes domésticos, como vômito ou problemas urinários graves, não são identificados a tempo.

Até o excesso de humanização traz riscos aos pets
A tendência de atribuir comportamentos humanos aos animais pode prejudicar o desenvolvimento comportamental. Atitudes como manter o animal no colo o tempo todo, impedir o contato com o chão e não impor limites dificultam que o bicho aprenda a ficar bem sozinho, favorecendo a ansiedade de separação.
O uso de roupas inadequadas e acessórios sem respeitar os sinais do corpo do animal também causam desconforto. A veterinária alerta que roupas em excesso interferem no controle da temperatura, podendo provocar desidratação e choque térmico.
Além disso, tratar o animal como “humano” pode distorcer a visão do tutor, que enxerga um “bebê feliz” onde pode haver um animal estressado e com dor.

Falta de cuidados de saúde encurta a vida dos pets
Problemas cotidianos como obesidade, acúmulo de tártaro nos dentes e unhas gigantes estão dentro do que é considerado negligência. O excesso de peso reduz a expectativa de vida e está associado ao consumo exagerado de petiscos. Já a falta de escovação dental causa infecções e dor ao mastigar, enquanto unhas muito compridas alteram a forma de pisar e provocam dores articulares.
A mudança desses hábitos exige rotinas previsíveis e o atendimento das necessidades biológicas de cada espécie. “Amar um animal é conhecer a espécie e cuidar do que ele precisa, não do que nós gostaríamos que ele precisasse”, conclui a professora do Centro Universitário Braz Cubas.












