Manter a rotina ameniza o luto de cães e gatos após morte no ciclo social
Animais podem perder o apetite e se isolar. Garantir horários fixos de comida e não forçar passeios ajudam a aliviar o luto do pet

Cães e gatos perdem o apetite e se isolam pela casa ao enfrentar um período de luto repentino após a morte de um tutor ou de outro animal de estimação. Segundo a veterinária Haltiane Alves, os pets alteram drasticamente seus comportamentos básicos diante dessa perda. Isso ocorre porque eles criam vínculos afetivos profundos com quem convivem diariamente.
Entenda
- Durante o luto, cães e gatos perdem o apetite, brincam menos e buscam mais a atenção humana. Os felinos também costumam se esconder com mais frequência.
- Quando perdem o tutor ou um companheiro animal, é comum que os pets fiquem cheirando e esperando nos locais favoritos de quem partiu.
- A intensidade da tristeza tem mais a ver com a proximidade e a qualidade da relação que o animal tinha com quem morreu do que com o tempo de convivência.
- Para amenizar o luto, mantenha a rotina. Não force passeios, evite mudar o pet de ambiente e busque um veterinário se a apatia durar muitas semanas.
A importância dessa relação familiar ganhou um peso judicial nos últimos meses. Em fevereiro de 2026, a cidade de São Paulo sancionou a Lei nº 18.397/2026, que reconhece oficialmente o vínculo entre humanos e pets, permitindo o sepultamento conjunto em jazigos familiares.
Mesmo com o avanço da legislação, lidar com a tristeza dentro de casa exige observação diária. Identificar os sinais de que o bicho está sentindo a ausência é o passo fundamental para oferecer o suporte correto durante essa fase.

Impacto do luto no comportamento dos cães
Quando perdem um companheiro canino, os cachorros costumam buscar mais atenção humana (67% dos casos), brincar menos (57%) e ficar mais parados (46%). Além disso, a tristeza profunda os faz comer menos e chorar ou latir com muito mais frequência.
Entre no canal de WhatsApp do Vida e EstiloEsses dados fazem parte de um levantamento publicado em 2022 na revista Scientific Reports. A pesquisa foi conduzida por estudiosos da Universidade de Milão com 426 famílias italianas, onde 86% dos tutores notaram mudanças claras no bicho sobrevivente.
A qualidade do vínculo pesou mais do que o tempo de convivência entre os dois animais. Quanto mais próxima era a relação com o companheiro que morreu, mais intensa foi a reação, um padrão que se repetiu quando o próprio tutor também enfrentava o luto.

Reflexo do luto na rotina dos gatos
Os gatos também sentem a perda de um parceiro de casa. Eles passam a comer e brincar menos, além de se esconderem ou ficarem mais tempo sozinhos, como se procurassem pelo bicho ausente.
Esse cenário apareceu em um levantamento de 2024 feito por pesquisadores da Universidade de Oakland, nos Estados Unidos, com cerca de 412 tutores. O estudo, publicado na revista Applied Animal Behaviour Science, revelou que os gatos cheiram repetidamente os locais preferidos do animal falecido, mesmo quando o companheiro perdido era um cão (o que representou um terço dos casos).

A ausência humana e como aliviar o luto do pet
A figura do tutor traz a sensação de segurança e previsibilidade dentro de casa, o que torna a ausência repentina um grande choque para os animais de estimação nos primeiros dias.
“Cães costumam manter uma rotina muito ligada à presença do tutor: horário de passeio, de comida, de dormir. Quando essa pessoa falta, é comum o animal procurar o cheiro dela, esperar em lugares onde os dois costumavam ficar e comer menos nos primeiros dias“, explica Haltiane.
Para ajudar o bicho a superar o luto, o ideal é oferecer atenção sem forçar interações, “além de manter a rotina o quanto for possível”, comenta a veterinária.
Se a falta de apetite ou a apatia durarem mais de algumas semanas, a família deve procurar uma clínica veterinária para descartar doenças.















