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“Lambeijos”: entenda os riscos escondidos no comportamento dos pets
Embora seja um gesto de carinho, os “lambeijos” podem esconder uma série de riscos à saúde tanto dos pets quanto dos humanos
atualizado
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Os famosos “lambeijos” são uma das formas mais comuns de afeto entre os pets e seus tutores. O gesto, porém, esconde alguns riscos, já que cães e gatos podem transmitir bactérias, parasitas e zoonoses. Embora a troca de carinho seja saudável, é fundamental adotar medidas de prevenção.
Por trás do comportamento, a boa higiene oral do pet é o que garante que as lambidas não representem risco à saúde de ambos.
Por que é perigoso?
Para os cachorros, lamber é uma forma de comunicação herdada dos ancestrais. Enquanto filhotes, o comportamento está associado à submissão. Já para os adultos, a lambida é uma maneira de fortalecer vínculos e até mesmo liberar endorfina, hormônio que causa sensação de bem-estar.
O alerta está no fato de que a boca dos pets possui uma microbiota muito vasta. Por conta disso, se não houver manutenção da higiene, o acúmulo de bactérias pode levar à doença periodontal — uma infecção bacteriana crônica que destrói os tecidos de suporte dos dentes.

A veterinária Nicole Gabriela comenta que o “bafinho” não deve ser algo naturalizado.
“O beijo é uma delícia, mas o hálito do animal não deve ser desagradável. O bafo não é normal e é o primeiro sinal de que o animal precisa de uma avaliação odontológica. O tutor deve garantir que a boca do pet esteja saudável para que o carinho seja seguro para todos.”
Mitos e verdades
A especialista ainda esclarece os principais mitos que cercam o assunto. Um deles, muito comum, é que a boca dos cães é mais limpa que a dos humanos: “São biotas diferentes. As bactérias são distintas e podem causar infecções se entrarem em contato com tecidos vulneráveis dos tutores”, alerta a profissional da WeVets.

Nicole também contraria a afirmação de que receber lambidas em machucados pode ajudar na cicatrização. “Mito. Pelo contrário, a umidade e as bactérias da saliva podem agravar ferimentos e causar infecções secundárias”, destaca.
Como garantir a segurança
Quem tem um animal de estimação sabe o quanto é difícil não deixá-los exercer esse comportamento. Por conta disso, a veterinária listou algumas dicas de cuidados para “lambeijos” seguros:

- Escovação: diária (ou ao menos três vezes por semana), com produtos específicos para pets.
- Atenção aos humanos: pessoas com o sistema imunológico debilitado, idosos, crianças pequenas ou com feridas abertas devem evitar o contato direto com a saliva de cães e gatos no rosto e mucosas.
- Check-up odontológico: os pets precisam de uma limpeza profissional (tartarectomia) para remover placas que a escovação caseira não alcança.










