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Estudo revela como a tecnologia afeta o vínculo entre humanos e cães
Estudo britânico e veterinário explicam como a tecnologia pode funcionar para aproximar ou afastar tutores e cães
atualizado
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Câmeras, coleiras com GPS, alimentadores automáticos e brinquedos interativos estão cada vez mais presentes na vida de quem tem pets.
No Reino Unido, um estudo conduzido por Dirk van der Linden e outros pesquisadores da Northumbria University investigou como a tecnologia afeta o vínculo entre tutores e cães.
O objetivo era entender até que ponto o cuidado digital pode interferir nas relações afetivas. Os pesquisadores ouviram 155 tutores britânicos e revelaram um sentimento comum: a tecnologia pode ajudar, mas nunca deve substituir o contato humano.
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Os participantes, em sua maioria mulheres (67%), tinham forte laço com seus cães, o que foi confirmado por um alto índice na escala Companion Animal Bond. Apesar disso, os entrevistados demonstraram resistência em deixar a tecnologia assumir tarefas mais afetivas, como brincar, passear ou treinar.
“A presença do tutor nunca será integralmente substituída, porque cães precisam da companhia de seus humanos. Mas podemos usar a tecnologia a nosso favor”, afirma o médico-veterinário comportamentalista Rafael Rodrigues.

Apoio ou substituição?
O levantamento britânico mostrou que os tutores tendem a aceitar melhor a automação em tarefas consideradas “chatas”, como limpar os dejetos dos cães, mas se sentem desconfortáveis em automatizar momentos de interação e afeto. O medo é que o uso exagerado de tecnologia leve a uma “desconexão emocional”.
Na prática, o veterinário concorda que o equilíbrio é essencial. “Os alimentadores inteligentes permitem programar a distribuição do alimento, evitando desperdícios, excessos ou grandes períodos de jejum.” Porém, ele considera que a hora da alimentação é uma oportunidade de fortalecer o vínculo com o pet.
Rafael ressalta ainda que a tecnologia deve servir de suporte, principalmente em casos de tutores com limitações físicas ou pouco tempo em casa, e não como um substituto do cuidado direto.

De acordo om o especialista, dispositivos como câmeras podem ser aliados, desde que usados de forma adequada. “Para animais que apresentam problemas ao ficarem sozinhos, as câmeras possuem grande utilidade.”
O importante é evitar o uso do microfone, porque a voz do tutor pode estimular comportamentos inadequados, como vocalizações e inquietude.
Ansiedade e vigilância andam juntas
Embora o estudo tenha apontado que a maioria dos tutores enxerga a tecnologia como ferramenta de apoio, os autores alertam para o risco de dependência emocional, tanto dos humanos quanto dos animais. Alguns entrevistados relataram sentir mais ansiedade ao monitorar seus pets o tempo todo.
O médico-veterinário também observa esse efeito na rotina clínica. “As câmeras podem deixar os tutores mais ansiosos ou com a consciência pesada por deixarem seus animais sozinhos.”
Segundo ele, sinais de desconforto, como rosnar, se afastar ou chorar durante a interação com equipamentos eletrônicos, são alertas de que algo não vai bem. Nesses casos, o ideal é procurar orientação profissional.

É tudo sobre equilíbrio
A pesquisa identificou dois caminhos possíveis para o futuro das relações entre humanos e cães. O dos “pesadelos tecnológicos”, em que a dependência de dispositivos enfraquece o vínculo afetivo, e o dos “sonhos tecnológicos”, em que a inovação torna os tutores mais atentos, informados e próximos de seus animais.
Na visão do veterinário Rafael Rodrigues, o caminho saudável é o da convivência equilibrada.
“Brinquedos com controle remoto e dispositivos inteligentes podem ajudar muito, inclusive pessoas com limitações físicas. Mas é essencial observar como o animal reage e garantir que ele esteja confortável”, diz.
Para os pesquisadores britânicos, a chave está em usar a tecnologia como extensão do cuidado. No fim, tanto a ciência quanto os especialistas concordam: nenhuma tela, aplicativo ou sensor será capaz de reproduzir o afeto de um tutor presente.










