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Crescer com pets pode aumentar empatia em crianças, indicam estudos
Convivência com animais contribui para o desenvolvimento emocional, reduz o estresse e estimula responsabilidade desde a infância
atualizado
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A relação entre crianças e animais de estimação vai além do afeto cotidiano e pode ter impactos diretos no desenvolvimento emocional. Pesquisas recentes na área de psicologia indicam que crescer ao lado de pets está associado a níveis mais altos de empatia e comportamentos pró-sociais desde a primeira infância.
Estudos mostram que a convivência com animais pode aumentar a liberação de neurotransmissores relacionados ao prazer e bem-estar, como a dopamina e serotonina, assim como reduzir o cortisol. Os benefícios são diversos, como a redução da solidão, depressão, sintomas de ansiedade e o controle do estresse.

De acordo com o psicólogo Rommani Souza, os benefícios são vastos, começando pela satisfação das necessidades psicológicas humanas, como o dar e receber amor. “Pessoas que convivem com animais têm menores chances de desenvolver quadros de depressão”, exemplifica.
O psicólogo destaca que, desde a infância, a interação com os pets pode fortalecer a sensação de bem-estar e promover sentimentos de afeto, além de ajudar na construção de responsabilidades, por meio dos hábitos de alimentar ou passear com o animal.
O especialista também ressalta a importância do instinto de proteção que muitos animais, como cães, possuem. “Raças mais dóceis, como o labrador ou o golden retriever, são excelentes para crianças, pois tendem a proteger os pequenos com carinho”, afirma.
Esses animais contribuem para o desenvolvimento das crianças ao oferecer um senso de segurança e ao estimular a capacidade de cuidar de outro ser vivo. Contudo, Rommani alerta que, mesmo com esses instintos de proteção, é essencial que os pais orientem as crianças sobre os cuidados adequados com os pets, como evitar mexer na comida do cachorro ou colocá-lo em situações desconfortáveis.
Um estudo publicado na revista científica Anthrozoös identificou que crianças com forte vínculo com seus animais demonstram maior capacidade de compreender emoções alheias. A pesquisa acompanhou participantes ao longo do tempo e concluiu que o apego aos pets pode influenciar positivamente a forma como elas se relacionam com outras pessoas.

Já uma investigação da Frontiers in Psychology analisou interações entre crianças pequenas e cães, observando atitudes como oferecer comida, proteger ou tentar ajudar o animal. Esses comportamentos são considerados indicadores iniciais de empatia — habilidade essencial para a convivência social.
Especialistas explicam que esse desenvolvimento acontece porque os animais se comunicam majoritariamente de forma não verbal. Ao conviver com eles, a criança aprende a interpretar sinais de dor, medo ou alegria, exercitando a sensibilidade emocional. Além disso, o cuidado com o pet também estimula responsabilidade e atenção ao outro.
Uma revisão da American Academy of Child and Adolescent Psychiatry reforça que esse tipo de vínculo pode contribuir para o desenvolvimento socioemocional, ajudando crianças a se tornarem mais sensíveis, cooperativas e preparadas para interações sociais.
Embora os pesquisadores ressaltem que a empatia é influenciada por diversos fatores — como ambiente familiar e educação —, a convivência com animais aparece como um elemento relevante nesse processo. Mais do que companhia, os pets podem funcionar como importantes aliados na formação emocional das crianças.


















