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Dia das Crianças: animal não é presente, é compromisso para a vida
Veterinários alertam: antes de adotar um animal para a criança, é preciso entender o tamanho da responsabilidade envolvida
atualizado
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Cães, gatos, coelhos, hamsters… Em datas como o Dia das Crianças, é comum que muitos pais pensem em presentear os filhos com um animal de estimação. Mas a escolha, que deveria ser baseada em afeto e consciência, muitas vezes nasce do impulso, o pode acabar mal tanto para a criança quanto para o bichinho.
“Um pet não é um brinquedo que pode ser comprado, embrulhado e entregue com laço. É um ser vivo que exige tempo, cuidados diários, espaço e investimento ao longo de muitos anos”, alerta a médica veterinária Paula Castro, do Centro Universitário FMU.
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O cenário é conhecido dos veterinários: um filhote fofo é levado para a casa, vira o centro das atenções por alguns dias e, depois de pouco tempo, os adultos percebem que não estavam preparados. “As promessas da criança cuidar, alimentar, limpar, geralmente duram uma semana. Depois disso, os pais precisam assumir tudo”, afirma o veterinário Thiago Borba.
E esse “tudo” é amplo. Vai desde a alimentação correta para cada fase da vida do pet até passeios, brincadeiras, consultas de rotina, emergências, higiene, adestramento, socialização e adaptações no ambiente de casa. “É comum que as pessoas só se atentem para os custos e exigências depois que o animal já está lá. E aí surgem os conflitos, as frustrações e, nos piores casos, o abandono”, completa Thiago.
Decisão em família, não por impulso
A veterinária Giovana Mazzotti reforça que a adoção ou compra de um animal deve ser uma decisão planejada, não uma surpresa de última hora. “Tudo bem que a entrega aconteça no Dia das Crianças, para marcar a chegada do pet como algo especial. A escolha, entretanto, não pode ser feita por uma semana. É preciso envolver toda a família, avaliar o tempo disponível, o orçamento, o espaço e a disposição para cuidar.”
Giovana lembra ainda que, mesmo sem agressões físicas, há muitas formas sutis de maus-tratos: manter o animal em espaço inadequado, não vacinar, alimentar mal, deixar sem passear ou sem estimulação. “Isso também é negligência. E a maioria começa com a adoção mal pensada.”
Criança pode cuidar, mas nunca sozinha
Apesar disso, os veterinários não são contra a convivência entre crianças e animais, muito pelo contrário. “É uma das formas mais bonitas de ensinar empatia, responsabilidade e respeito ao outro”, acredita Paula. Ela, porém, é clara: o adulto precisa supervisionar, orientar e, muitas vezes, fazer por ela.
Tarefas simples e seguras, como colocar água fresca, ajudar a escovar, organizar brinquedos ou o cantinho do pet, são uma forma lúdica e educativa de envolver a criança no cuidados. E isso, quando feito de maneira certa, fortalece o vínculo entre eles.
Animal não é presente, é parte da família
“Datas como o Dia das Crianças elevam a empolgação. E filhotes são naturalmente irresistíveis. Aí que mora o perigo”, diz Thiago Borba. Quando a decisão é movida pela emoção, os riscos aumentam — tanto para o pet quanto para a dinâmica familiar.
Os especialistas são unânimes: o animal precisa ser integrado à família com planejamento e consciência. “É uma relação de longo prazo. Cães e gatos vivem mais de 15 anos. Não dá pra decidir com base na fofura ou pra agradar a criança por um dia”, resume Paula Castro.
Antes do laço, o laço emocional
Se for adotar ou comprar um pet nesse Dia das Crianças, que seja com responsabilidade. O verdadeiro presente não é o animal em si, mas o vínculo que nasce — e que deve durar por toda a vida dele.


















