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É o bicho!

Chamada de papagaio, arara "rebate" e corrige pedestre na rua

Após arara ser chamada de papagaio e "rebater", biólogo detalha a imitação vocal e os desafios de criar uma arara em casa

17/08/2026 18:38
@arara_ayla / reprodução / Instagram
Homem andando de bicicleta com arara

Nos últimos dias, um vídeo gravado na Zona Sul de São Paulo ganhou destaque após a arara Ayla corrigir uma pedestre na rua. Durante um passeio de bicicleta com o seu tutor, a ave escutou uma jovem apontar e chamá-la de “papagaio”, rebatendo o erro de forma imediata e dizendo a palavra “arara”.

Veja o vídeo

A cena fez muita gente se perguntar se a arara realmente entende o que diz. Para explicar o caso, o biólogo Bruno Reis afirma que o animal não pensa como um ser humano. Na verdade, a ave aprendeu a associar muito bem a palavra correta àquela situação.

Apesar de a interação ser engraçada, o especialista aproveita a repercussão para fazer um alerta. Ele detalha os perigos e as altas exigências para manter esse tipo de bicho em cativeiro, lembrando que os vídeos da internet costumam exibir apenas o lado fofo da convivência.

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Casal de araras- Metrópoles
As araras vivem até 70 anos e precisam de cuidados constantes

O passeio de bicicleta e a resposta da arara

A arara canindé de quatro anos cruzava a ciclovia no ombro do analista Fábio Yokobatake. O hábito de pedalar com a mascote começou quando o tutor descobriu o colesterol alto e decidiu unir o seu exercício com o tempo de atenção que a ave demanda diariamente.

Foi no meio desse trajeto que a garota chamou a arara de papagaio e foi corrigida. Embora a resposta pareça vinda de uma autoconsciência, a biologia garante que o bicho não compreende, de fato, a diferença conceitual entre ele e um papagaio.

“O que observamos nesse tipo de vídeo é um processo de aprendizagem associativa e condicionamento operante”, esclarece o biólogo. Como essas aves são inteligentes e aprendem rápido, elas memorizam e repetem os sons que geram atenção e recompensas das pessoas ao redor.

O segredo da voz e o perigo de ter uma arara

A capacidade de fala da arara impressiona justamente porque a espécie não tem cordas vocais, mas sim uma estrutura anatômica chamada siringe. Segundo o biólogo, esse órgão trabalha em conjunto com uma língua articulada para que o animal consiga modular as frequências sonoras com muita precisão.

Enquanto na natureza elas usam os sons para integrar o bando, no cativeiro a família humana vira a sua parceira social. O biólogo avisa que a rotina de cuidados é difícil, pois a ave vive até 70 anos, tem voz que passa dos 100 decibéis e um bico feito para destruir móveis e fios com facilidade.

O animal exige espaço amplo para voar e consultas veterinárias constantes, podendo arrancar as próprias penas se sofrer estresse.