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Gata arremessada de 12° andar: saiba identificar sinais de maus-tratos. Veja vídeo
O crime contra a gata foi denunciado por vizinhos da suspeita. Especialista explica o que configura maus-tratos e como identificar
atualizado
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Vítima de maus-tratos, uma gata foi arremessada do 12° andar de um prédio em Curitiba, no Paraná. A suspeita é a própria tutora, presa em flagrante na última quinta-feira (5/2), em ação conjunta das polícias Civil (PCPR) e Militar do Paraná (PMPR). O crime, denunciado por vizinhos, inflamou o debate na web sobre a onda de ataques contra animais que vem acontecendo no país.
Desde as últimas semanas, manifestações em diversos estados e mobilizações nas redes sociais já vinham sendo feitos diante as brutalidades cometidas contra cães e gatos. Sabendo disso, fica a dúvida: como identificar sinais de maus-tratos e atuar, na prática, para combater esse tipo de crime?
O que configura maus-tratos
Ilan Munhoz Ayer, docente de medicina veterinária, afirma que é necessário conhecer certos conceitos básicos relacionados ao bem-estar animal. Isso porque, muitas vezes, a população não identifica comportamentos humanos que passam despercebidos como maus-tratos — ao ponto de chegar, como no caso da gata, em uma situação extrema.
O docente chama atenção para os cinco pilares básicos no que diz respeito aos cuidados que, se não atendidos, podem sim ser configurados como negligência:
- Liberdade de fome e sede: garantir o acesso imediato à água fresca e alimentação adequada;
- Liberdade de desconforto: mantê-los em ambiente que ofereça proteção e conforto;
- Liberdade de dor, lesões e doenças: prevenir e garantir tratamento rápido para lesões e doenças;
- Liberdade para expressar comportamento natural: proporcionar espaço, companhia e estruturas adequadas para que o animal mantenha seus comportamentos naturais;
- Liberdade de medo e estresse: garantir ambiente livre de estresse, medo e sofrimento psicológico, como barulhos excessivos ou situações traumáticas.
Esses fundamentos podem ter diferentes significados a depender da espécie, segundo ele.
“No caso dos gatos, deixar de fornecer alimentação adequada ou mantê-los em um ambiente desconfortável, onde não possam subir, arranhar ou explorar — comportamentos naturais da espécie — pode caracterizar”, alerta.
Já para os cachorros, os pontos de atenção são outros. “Atos como o corte da cauda e orelhas, mantê-los constantemente presos ou impedir que realizem atividade física também configuram violação do bem-estar animal”, acrescenta o o professor da Faculdade Una Pouso Alegre (MG).
“Com base nesses conceitos, é possível avaliar se o manejo está sendo realizado de forma correta ou se há situações que podem ser consideradas maus-tratos e, portanto, passíveis de denúncia”, salienta.
Caso da gatinha
De acordo com Guilherme Dias, delegado responsável pelo caso, testemunhas flagraram a suspeita arremessando o animal depois de ouvirem diversos gritos da gata, que já estava sendo agredida. Os vizinhos acionaram as autoridades, que prenderam a mulher pelo crime de maus-tratos.
Após sobreviver a queda, o animal foi levado para o veterinário. A Polícia Civil informou que a pet sofreu ferimentos graves: devido a altura a qual foi arremessada, a gata teve traumatismo cranioencefálico, contusão pulmonar e hemorragia na região da bexiga.
Ela será colocada para adoção depois que se recuperar completamente. “Agora vai passar as próximas horas recebendo tratamento, amor e muito carinho para que a gente possa salvar sua vida e, futuramente, ela possa ter uma nova família”, concluiu o delegado.
Canais de denúncia
Presenciou um caso de maus-tratos? É crime, denuncie!
- IBAMA: 0800 61 8080 (para qualquer estado, útil para animais silvestres)
- Disque Denúncia: 181 (disponível em diversos estados, quando não é urgência)
- Polícia Militar: 190 (para urgência ou flagrante)
















