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Diretora e vice de escola pública do DF são indiciadas por maus-tratos

A PCDF concluiu que a escola gerida pelas mulheres contava com uma “sala das emoções”, onde alunos teriam sido maltratados

atualizado

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Arte: Gabriel Lucas/Metrópoles
Abuso e violência contra crianças
1 de 1 Abuso e violência contra crianças - Foto: Arte: Gabriel Lucas/Metrópoles

A diretora e a vice-diretora da Escola Classe 3 da Estrutural —  que, apesar do nome, é localizada no Guará II — foram indiciadas pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) por maus-tratos. A medida é resultado de uma investigação que teve início após pais de alunos denunciarem a existência de uma “salinha das emoções” para onde as crianças eram levadas toda vez que se “comportavam mal”.

Segundo relatos dos familiares, crianças de 4 a 9 anos, autistas e não autistas, foram levadas à sala. Em 2024, os pais registraram um boletim de ocorrência contra a escola na 4ª Delegacia de Polícia (Guará). Após diligências, os investigadores concluíram que há indícios da existência da “salinha”.

O inquérito foi encaminhado para o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e está em sigilo.

Em nota, a Secretaria de Educação informou que o caso já havia sido objeto de apuração administrativa, conduzida pela corregedoria da pasta.

“À luz dos elementos disponíveis naquele momento, foram realizadas as diligências cabíveis e promovida a devida análise técnica, resultando no arquivamento do procedimento na esfera administrativa, sem prejuízo de reavaliação futura diante do eventual surgimento de fatos novos ou de novas provas”, disse.

A pasta ainda disse que, com as informações acerca do indiciamento das gestoras, determinou “a adoção imediata de providências para reexame do caso. Nesse sentido, a corregedoria solicitará acesso ao inquérito policial, com a finalidade de verificar as provas apontadas e proceder à análise quanto à reabertura da apuração no âmbito administrativo disciplinar”, completou a nota.

“Meu filho passou a ter medo do escuro”

O Metrópoles noticiou o caso em agosto de 2024. Na época, Paula Holanda, 37 anos, e Yuri de Lima, 38, pais de um menino de 4 anos, relataram a situação à reportagem. Não autista, o menino foi matriculado na EC 3 no início de 2024 e ficou em uma turma mista.

Os pais souberam da sala após o desligamento de uma professora da unidade. Paula e Yuri foram até a escola e, segundo eles, a diretoria informou que a docente “não se adequava aos procedimentos” adotados na unidade de ensino. Nesse dia, a vice-diretora do local teria levado o casal para conhecer a “sala das emoções”.

“Eu não sabia da existência dessa sala. Tinha tatames pretos no chão e nas paredes, janelas travadas, um ventilador e uma luz tipo de boate. Dias depois descobri que meu filho já tinha sido levado para essa sala”, contou Paula na época.

A mãe disse que o próprio menino de apenas 4 anos contou a ela como os colegas eram levadas para o “castigo”. “Ele me falou que vários amigos também já tinham ido para a sala, tanto autistas quanto não autistas. Segundo ele, era para ‘parar de chorar’.”

Yuri corroborou a história e relata que o filho passou a ter medo do escuro. “Até então, não sabíamos o motivo da mudança de comportamento dele, mas, agora, tudo passou a fazer sentido.” O menino, que estava em uma escola pela primeira vez, também passou a ter pesadelos frequentes. “Ele já não vai mais para a escola e vamos pedir a transferência dele. Eu não confio mais para deixar ele ir a essa mesma escola”, completou Yuri.

Outra mãe, que não foi identificada, contou em depoimento à PCDF que a filha autista teve um retrocesso no tratamento após ser matriculada na escola.

A mulher confirmou a descrição da “sala das emoções” e disse que conseguiu ver o ambiente um dia quando foi buscar a menina na unidade. Ela também nunca teria sido informada sobre a existência da sala ou qualquer tipo de procedimento para acalmar as crianças.

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