Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
É o bicho!

Casal cria alpacas em casa e prepara projeto social com os animais

Com rotina de cuidados integrais no interior paulista, tutora supera trauma do passado e espalha amor com o projeto Sorriso Fofo

01/07/2026 08:18
Compartilhar notícia
Arquivo pessoal
Casal cria alpacas em casa e prepara projeto social com os animais

Um casal de moradores de Dracena, no interior de São Paulo, transformou completamente a rotina do lar e a dinâmica da comunidade ao criarem duas alpacas, batizadas de Davi e Ester, como membros da família. Motivados pelo desejo de fazer o bem e pelos comprovados benefícios terapêuticos da espécie, a mestre em educação Eliete Evangelista, conhecida carinhosamente como Lili Pink, e seu marido, o empresário Nelson Miralhas, integraram os animais ao cotidiano de sua casa rosa.

Mais do que animais de estimação, os filhotes são a base do projeto Sorriso Fofo, uma iniciativa idealizada pelo casal que será lançada no próximo sábado para levar formalmente a docilidade e o poder curativo das alpacas a crianças, idosos e pessoas com deficiências da região.

Entenda

  • Decisão e legalidade: a ideia surgiu da paixão de Lili por seres fofos e de pesquisas sobre alpacas como pets nos EUA; a compra foi feita de forma 100% legalizada no Brasil, seguindo as normas ambientais vigentes.

  • Estrutura de ponta: apoiada pelo marido, Lili adaptou um espaço de mais de mil metros quadrados para os animais, que contam com dois veterinários disponíveis 24 horas e acompanhamento nutricional rigoroso.

  • Amparo emocional: para a tutora, os animais têm um papel espiritual e de cura, tendo sido fundamentais em sua superação pessoal após ter sido sobrevivente de violência doméstica crônica no passado.

  • Missão terapêutica: embora os atendimentos hoje ocorram de forma espontânea a pedidos de moradores, o casal prepara o lançamento oficial do projeto Sorriso Fofo para expandir essa interação com os bichos.

Casal cria alpacas em casa e prepara projeto social com os animais
Ester e Davi

Superação pessoal e o milagre através dos animais

A ligação de Lili Pink com o reino animal vem desde a infância, mas ganhou um significado de sobrevivência anos atrás. Vítima de um histórico grave de violência doméstica e de um divórcio doloroso, ela relata ter passado por situações extremas antes de reconstruir sua vida com dignidade e fé.

“Eu venho de uma violência doméstica da qual, do ponto de vista da medicina, não estaria viva. Fui mantida em cárcere privado por dois anos, passei fome e sede. Fui curada pelo milagre de Deus e salva pelos meus cães. Acredito muito no poder curativo dos animais, porque eles são a manifestação de Deus”, desabafa.

Essa trajetória de dor foi transformada em acolhimento quando Lili conheceu seu atual marido, Nelson Miralhas, a quem ela faz questão de creditar como o grande pilar dessa nova fase. Empresário e também apaixonado por bichos, Nelson gerencia propriedades rurais na região e foi quem validou o sonho das alpacas, dando o suporte financeiro e estrutural para o investimento.

“Ele é o ser humano que me ajudou a viver novamente. Quando mostrei as alpacas, ele se apaixonou. Unimos nossa paixão e as diversas possibilidades de fazermos o bem”, conta Lili ao Metrópoles.

Casal cria alpacas em casa e prepara projeto social com os animais
A dupla é muito carinhosa

“Maternidade” atípica e rotina de cuidados rigorosos

Engana-se quem pensa que a criação dos animais na área urbana de Dracena é feita de forma improvisada. Diante de comentários na internet de pessoas que criticavam o bem-estar dos bichos chamando-os de “pets de apartamento”, Lili esclarece que Davi e Ester recebem um tratamento de padrão internacional, dispondo de uma casinha própria e livre acesso para transitar por onde desejarem.

“No dia a dia da nossa família tudo mudou. Eu falo que estou de licença-maternidade. Eles ainda mamam, são bebês delicados, sentimentais, que precisam de carinho e cuidados. Cuidamos da higiene, hidratação, temperatura e alimentação, com seis mamadeiras por dia”, detalha a tutora.

Além de toda a atenção com a nutrição e o espaço de mais de mil metros quadrados, a rotina médica é levada muito a sério pelo casal. “Nós temos dois veterinários 24 horas à disposição. Eu não cheguei ontem no mundo animal, eu amo bicho. Temos mais cinco cães e todos convivem harmoniosamente. Nossa família está mais feliz, mais abençoada e amorosa”, orgulha-se Lili.

Casal cria alpacas em casa e prepara projeto social com os animais - destaque galeria
3 imagens
Há cerca de dois meses, Ester e Davi passaram a fazer parte da rotina da família, moradora de Dracena (SP)
Ester e Davi marcam rotina de amor e cuidado em Dracena (SP)
Duas alpacas que hoje vivem dentro de casa, recebem cuidados intensivos e se tornaram parte essencial da rotina da família
1 de 3

Duas alpacas que hoje vivem dentro de casa, recebem cuidados intensivos e se tornaram parte essencial da rotina da família

Arquivo pessoal
Há cerca de dois meses, Ester e Davi passaram a fazer parte da rotina da família, moradora de Dracena (SP)
2 de 3

Há cerca de dois meses, Ester e Davi passaram a fazer parte da rotina da família, moradora de Dracena (SP)

Arquivo pessoal
Ester e Davi marcam rotina de amor e cuidado em Dracena (SP)
3 de 3

Ester e Davi marcam rotina de amor e cuidado em Dracena (SP)

Arquivo pessoal

O toque que cura e o projeto Sorriso Fofo

A escolha específica pelas alpacas — e não por lhamas — se deu pelo temperamento e pelas características físicas ideais para o trabalho terapêutico que o casal planejava.

“A lhama é mais dura, a lã é maior, e ela é mais temperamental. A alpaca, não, ela é extremamente dócil. O bicho está muito em alta, mas as alpacas mudam totalmente o ambiente. Elas têm essa função pedagógica de transmitir segurança”, explica Lili, utilizando também sua bagagem de quase 20 anos na área da educação.

Atualmente, antes mesmo do lançamento oficial da iniciativa, a resposta da comunidade de Dracena tem sido imediata e comovente através de visitas agendadas. Diariamente, pessoas sensibilizadas batem à porta da famosa casa rosa para interagir com os animais após dias difíceis. Lili recorda com carinho o impacto que os bichos causam, especialmente em crianças com necessidades específicas que a procuram.

“O toque dela fala muito na questão das crianças com síndrome. Outro dia, um bebê com Down tocou e começou a sorrir. Porque a lã da alpaca te dá, realmente, aquela sensação de paz. Para as crianças especiais, a sensação do toque, da maciez e da leveza faz com que se sintam seguras e menos medrosas. Já presenciei abraços e risos que jamais serão apagados”, relata emocionada.

Casal cria alpacas em casa e prepara projeto social com os animais
As alpacas são tratadas como filhos

Conexão real além das telas

O próximo passo do casal é oficializar e expandir esses encontros a partir do próximo sábado (4/7), lançando o projeto Sorriso Fofo através da equipe da empresa de Nelson. A proposta é estruturar momentos controlados e seguros para os animais, permitindo que o público em geral tenha momentos de doçura. O projeto também nasce com uma missão clara de saúde mental para a era moderna: desconectar as pessoas do mundo virtual para resgatar os laços humanos.

“A ideia vem disso: a pessoa hoje não tem mais o contato, o toque. E quando você tem ali, você tira a foto com a alpaca, você vai querer mostrar para outra pessoa, e aí você vai sair um pouco da tela e vai conversar, vai ver. Quero levar amor”, projeta a mestre em educação.

Para Lili e Nelson, receber cartinhas infantis e ouvir agradecimentos espontâneos de quem visita Davi e Ester é a maior recompensa antes mesmo da inauguração oficial da iniciativa. O objetivo final do casal é simples, mas transformador: espalhar amor e curar corações na comunidade por meio do afeto puro dos animais.