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Dinheiro e Negócios

Marabraz: pai denunciou “vida de luxo” e tentou tirar noivo de Marina Ruy Barbosa do comando de empresa da família

Com uma dívida estimada em R$ 140 milhões, Marabraz apresentou pedido de recuperação judicial na última segunda-feira (17/8)

21/08/2026 02:24
Reprodução/Instagram
Marina Ruy Barbosa com o noivo

O pedido de recuperação judicial da Marabraz traz, na lista de motivos que levaram a varejista à uma dívida de R$ 140 milhões, uma extensa briga familiar. No documento apresentado à Justiça, os controladores da Marabraz afirmam que passaram a encontrar dificuldades para ter acesso a crédito após perderem acesso a uma holding criada para administrar os imóveis da família.

A briga entre duas gerações da família Nasser — do fundador da Marabraz — já rendeu um longo processo judicial. Em um dos capítulos, o anel de noivado dado por Abdul Fares a atriz Marina Ruy Barbosa foi usado como demonstração de que os netos do criador da varejista fariam “retiradas anuais milionárias” para “sustentar um padrão de vida de luxo extremo”.

Cravejada de diamantes e comprada em Dubai, a jóia é avaliada em cerca de US$ 1 milhão — aproximadamente R$ 6 milhões. O objetivo da ação judicial era retirar Abdul e outros netos do fundador da Marabraz do comando, justamente, da holding que controla os imóveis da família: a LP Administradora de Bens.

A confusão começou em meados de 2011, quando os filhos do fundador transferiram as participações que detinham nesta holding para seus descendentes. Ou seja, o controle da LP passou para os netos, entre eles, o noivo de Marina Ruy Barbosa.

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Os irmãos Nasser e Jamel Fares — atuais controladores da Marabraz e filhos do fundador da varejista — afirmam, no processo judicial, que a transferência das cotas para os descendentes foi uma “operação simulada” com o objetivo de blindar o patrimônio da família de dívidas da Marabraz.

Já os herdeiros — netos do fundador da Marabraz — argumentam que a transferência de cotas foi legítima e que a ação para anular o negócio teria sido motivada por desavenças familiares.

Em setembro de 2025, decisão judicial manteve os netos no controle da LP por entender que os filhos não poderiam pedir a nulidade do negócio ao argumentarem que, na verdade, teria se tratado de uma manobra maliciosa para despistar credores.

Agora, os atuais controladores da Marabraz afirmam que, por conta da transferência da administração da LP, perderam acesso aos imóveis da família que eram utilizados como garantia em operações de crédito da varejista.

“As instituições financeiras passaram a demandar novas garantias, reduziram limites de crédito, elevaram o custo das operações e, em diversos casos, deixaram de renovar linhas indispensáveis ao capital de giro”, afirmam os advogados da Marabraz no pedido de recuperação judicial.

Os administradores da LP — netos do fundador da Marabraz –, no entanto, afirmam que a holding e os imóveis controlados por ela não têm relação com as operações da Marabraz.

Confira o comunicado completo da LP Administradora:

“Diante das notícias a respeito do pedido de recuperação judicial formulado pela Marabraz, bem como das desinformações manifestadas por vários veículos de mídia, a LP Administradora de Bens LTDA. registra e esclarece que é sociedade inteiramente diferente da Marabraz, com atividade, administração e sócios inteiramente distintos.

Embora pertençam a integrantes de uma mesma família, as empresas são autônomas e independentes, cada uma com autonomia empresarial e patrimonial. Eventuais tentativas, inclusive dos próprios sócios da Marabraz, de confundir essa realidade, é ato pensado e fruto de uma narrativa originada após uma grave divergência familiar, que conta inclusive com desdobramentos criminais contra Nasser Fares que é o alimentador de todo o litígio.

A LP Administradora de Bens LTDA. encontra-se sob administração e controle societário distinto da Marabraz desde 2011, quando houve a cessão das quotas da empresa, a partir do momento em que os seus atuais sócios a administram de forma livre e soberana, sem qualquer submissão à Marabraz ou a qualquer dos sócios da empresa varejista.

Tal realidade já foi inclusive reconhecida pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em julgamento realizado de forma unânime por 5 desembargadores, em oportunidade na qual se rechaçou uma tentativa de sócios da Marabraz de retomarem o controle da LP Administradora de Bens, cuja autonomia e titularidade foi integralmente mantida com seus atuais sócios, com reconhecimento da licitude e higidez do negócio jurídico celebrado em 2011. A LP reforça, portanto, que as companhias são distintas, com estruturas societárias, administrações, patrimônios e responsabilidades próprias. A LP não participa da gestão da varejista e, portanto, não é legítima a tentativa de atribuir à companhia responsabilidade pelas decisões administrativas, financeiras ou operacionais que levaram ao atual cenário da Marabraz.

Para que não haja dúvidas: se a Marabraz entrou em estado recuperacional, trata-se de situação gerada pelos atos e medidas de insucesso tomadas por sua própria administração — que tem patrimônio pessoal mais do que suficiente para fazer frente à integralidade da dívida da empresa —, naturalmente agravados por fatores macroeconômicos que, como é público e notório, assolaram todo o setor varejista em cenário nacional. A LP Administradora de Bens LTDA. em nada contribuiu para isso – e quaisquer afirmações nesse sentido são frágeis reproduções de uma narrativa judicial já rechaçada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

Desse modo, a LP Administradora de Bens LTDA., juntamente com seus sócios e seus administradores, expressamente infirma qualquer tentativa de lhe atribuir causa, consequência ou relação com a recuperação judicial da Marabraz.

A companhia permanece concentrada na gestão de seus ativos, na preservação de seu patrimônio e na continuidade de suas operações, tal como tem feito desde 2011, sob a condução de seus sócios.”