Dinheiro e Negócios

Henrique Peretto: o empresário apontado por Vorcaro como avalista das carteiras podres

Empresário chegou a ser detido na primeira fase da operação Compliance Zero. Ele seria ouvido pela PF esta semana, mas depoimento foi adiado

atualizado

metropoles.com

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Banco Master
1 de 1 Banco Master - Foto: Michael Melo/Metrópoles

Daniel Vorcaro falou poucos nomes durante o depoimento que prestou à Polícia Federal (PF). Mas teve uma pessoa a quem o banqueiro se referiu em diversos momentos: o empresário Henrique Peretto. Além disso, Vorcaro atribuiu a Peretto o papel de avalista da negociação envolvendo carteiras podres emitidas pela Tirreno e vendidas ao BRB.

O nome de Peretto aparece pela primeira vez após Vorcaro responder perguntas sobre como o negócio com a Tirreno chegou ao Master. O banqueiro contou que o banco passava por um processo de expansão e que os papéis foram “levados a ele” por “pessoas que tinham experiência de mercado”.

A delegada, então, pede para Vorcaro nominar as pessoas e ele fala: “Quem trouxe o negócio foi o dono, que, na verdade, era sócio da Cartos e acabou criando a Tirreno para poder fazer esse projeto, desvinculado dos sócios anteriores dele, que é o Henrique Peretto”.

Em outro trecho, o delegado da PF pergunta sobre os resultados da Tirreno: “Uma empresa recém-inaugurada, uma empresa que tinha sido formada em dezembro, iniciou em quatro meses, e consegue R$ 4 bilhões?”.

Vorcaro responde que teria entrado no negócio por confiar em pessoas envolvidas na operação: “Na verdade, [o negócio] estava se pautando por uma outra empresa, que era a Caros, pela pessoa que tinha 25 anos de mercado”.

Em outro momento, a delegada questiona: “O senhor acaba de mencionar a questão do Henrique Peretto, que o senhor conhecia, que ele trouxe esse produto para o senhor. O senhor deu o aval, deu o ok, não é isso?”. Vorcaro responde apenas “”sim”.

Logo depois, a delegada afirma: “Cartos nega que tenha cedido esses créditos à Tirreno”. Mais à frente, ela tenta resumir a situação para tentar identificar a origem dos papéis. “Considerando que a Cartos [empresa que teria intermediado a operação, segundo Vorcaro] nega ter vendido carteiras à Tirreno, a Tirreno nunca movimentou dinheiro, portanto nunca pagou à Cartos, o Master nunca pagou efetivamente à Tirreno. De onde vieram as carteiras de crédito que o Banco Master vendeu ao BRB por 12,2 bilhões?”, perguntou Janaína.

Vorcaro respondeu: “Eu não tenho essa informação”.

Peretto foi preso preventivamente na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025. Mas foi solto três dias depois. Na investigação, ele aparece como responsável por aumentar o capital social da Tirreno, que saiu de R$ 100 para R$ 30 milhões.

O incremento foi considerado suspeito. A PF acredita que houve uma manobra societária para conferir aparência de capacidade econômica à empresa. Ele também seria CEO da Cartos.

Na decisão que autorizou a operação, o juiz Ricardo Leite afirma que “há diversos vínculos societários entre Henrique Peretto e André Felipe de Oliveira Seixas Maia – este último diretor da Tirreno e ex-funcionário do Banco Master -, indicando atuação coordenada no âmbito das empresas envolvidas”.

Peretto e André Felipe prestariam depoimento à PF nesta semana, mas as oitivas foram adidas após os advogados dos empresários alegarem que não tiveram acesso aos autos.

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