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As perguntas incômodas da delegada da PF no depoimento de Vorcaro
Janaína Palazzo não aceitou respostas evasivas do banqueiro e colocou Vorcaro contra a parede. Confira os principais momentos do embate
atualizado
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O depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal (PF) foi marcado por momentos tensos. A delegada responsável pela oitiva, Janaína Palazzo, enfrentou as respostas evasivas do banqueiro e o colocou contra a parede em diversos momentos.
A temperatura subiu, principalmente quando a delegada perguntou sobre as relações políticas de Vorcaro. O banqueiro negou ser próximo de políticos e afirmou não ter “usado” qualquer conexão para tentar manter os negócios do Master. Janaína insistiu várias vezes.
Emparedado, Vorcaro disse: ”Se eu tenho tantas relações políticas como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso e não estaria com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo”.
Diante de respostas curtas e lacônicas, Janaína repetiu questionamentos e convidou Vorcaro a se colocar no lugar de outros envolvidos. Como quando perguntou o que Vorcaro faria se fosse presidente do BRB, banco que comprou R$ 12,2 bilhões de papéis podres do Master.
“Se o senhor fosse presidente do BRB, tentaria comprar um banco que já lhe havia vendido, mais de uma vez, carteiras de crédito falsas?”, perguntou a delegada. Vorcaro respondeu: “Primeiro, o banco [Master] não vendeu carteiras de crédito falsas para o BRB. E, sim, se eu fosse o BRB, compraria. E foi uma pena o negócio ter sido negado. Uma pena para o mercado brasileiro, não só para o BRB”.
Janaína também reuniu informações soltas das falas de Vorcaro na busca por respostas mais claras do banqueiro. Em um dos questionamentos, a delegada resumiu todo o histórico da operação envolvendo os papéis emitidos pela Tirreno e vendidos ao BRB pelo Master. “Considerando que a Cartos [empresa que teria intermediado a operação, segundo Vorcaro] nega ter vendido carteiras à Tirreno, a Tirreno nunca movimentou dinheiro, portanto nunca pagou à Cartos, o Master nunca pagou efetivamente à Tirreno. De onde vieram as carteiras de crédito que o Banco Master vendeu ao BRB por 12,2 bilhões?”, perguntou Janaína.
Vorcaro respondeu: “Eu não tenho essa informação”.
A delegada insistiu, tentando ser ainda mais didática: “A Cartos nega ter vendido a carteira de crédito à Tirreno. A Tirreno nunca movimentou o dinheiro para comprar. Então há três possibilidades lógicas: A) as carteiras foram transferidas gratuitamente; B) as carteiras foram fabricadas do nada; C) as carteiras foram apropriadas da Cartos sem pagamento. Qual dessas alternativas o senhor considera verdadeira?
Vorcaro responde: “Nenhuma das perguntas”. Diante da resposta, ela repete a pergunta e pede para ele apontar uma das opções. “Desculpa, não consigo identificar, dessas três, o que aconteceu. O que eu consigo identificar, quando eu entendi a pergunta, era com relação ao Master. Eu consigo me identificar com relação ao Master. Entre Cartos e Tirreno, não tem como entrar numa relação, inclusive de duas empresas de mesmo sócio. Não posso opinar”, respondeu o banqueiro.
Vorcaro deu depoimento à PF no dia 30 de dezembro de 2025, no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes envolvendo a compra de carteiras de crédito de R$ 12 bilhões do Master pelo BRB. O banqueiro ficou preso por 12 dias e cumpre, atualmente, medidas cautelares determinadas pela Justiça, como uso de tornozeleira eletrônica.
