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Giolaser: franqueados relatam ameaças e pedem prisão de Carla Sarni

Carla Sarni é CEO do Grupo Salus, que reúne as franquias Sorridents, Giolaser, Amo Vacinas e Olhar Certo

atualizado

metropoles.com

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Carla Sarni
1 de 1 Carla Sarni - Foto: Divulgação

CEO do Grupo Salus — que reúne as franquias Giolaser, Sorridents, Amo Vacinas e Olhar Certo –, Carla Sarni é alvo de mais um processo judicial. Desta vez, franqueados relatam ameaças e pedem a prisão da empresária por coação. Nos autos, os autores apresentaram vídeos, gravações de telefonemas e prints de conversas em grupos de WhatsApp.

Em um dos registros, Carla escreveu em um grupo de franqueados: “Gostaria de ver com vocês a possibilidade de vocês ajudarem a parar ela”. Em outro, a empresária teria ligado para o ex-marido de uma das vítimas logo após ela ter prestado depoimento contra a empresária em outro processo. Na conversa, que foi gravada, Carla diz que “acabaria com a vida” da franqueada se ela não retirasse o depoimento.

O pedido de prisão também argumenta que a empresária registra sucessivos boletins de ocorrências contra as vítimas, além de apresentar repetidas ações judiciais. “Esse expediente possui inequívoco efeito intimidatório. Busca fazer com que testemunhas recuem, vítimas se calem, pessoas deixem de depor e a advocacia passe a atuar sob medo constante de criminalização”, diz a petição.

“A coação aqui não se dá apenas por ameaça verbal direta, mas também por pressão institucionalizada, consistente em múltiplas petições, denúncias, boletins de ocorrência, queixas-crime e pedidos cautelares destinados a sufocar, desgastar e silenciar os denunciados”, argumentam as vítimas.

Intimidação

Também franqueado do Grupo Salus, Leonardo Torloni, filho da atriz Christiane Torloni e do diretor Dennis Carvalho, foi acusado de extorsão por Carla Sarni. Como mostrou o Metrópoles, Carla Sarni registrou um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil do Estado de São Paulo contra Leonardo. Na ocasião, a empresária afirmou que Leonardo teria afirmado que iria denunciá-la à imprensa caso ela não pagasse a ele R$ 3,9 milhões.

Leonardo, por outro lado, afirma que busca de maneira legal o ressarcimento de prejuízos decorrentes do modelo de negócios inviável vendido por Carla. Leonardo tinha franquias tanto Giolaser quanto da Sorridents. Ele afirma ter investido mais de R$ 7 milhões, acumulando perdas superiores a R$ 11 milhões; enquanto a franqueadora teria obtido mais de R$ 3 milhões em royalties no mesmo período.

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Leonardo Torloni de Carvalho, filho da atriz Christiane Torloni com o diretor Dennis Carvalho
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Leonardo Torloni de Carvalho, filho da atriz Christiane Torloni com o diretor Dennis Carvalho
Christiane Torloni e Leonardo Carvalho
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Christiane Torloni e Leonardo Carvalho

Ivan Faria/Reprodução
Leonardo Torloni de Carvalho, filho da atriz Christiane Torloni com o diretor Dennis Carvalho
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Leonardo Torloni de Carvalho, filho da atriz Christiane Torloni com o diretor Dennis Carvalho

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Leonardo Torloni de Carvalho, filho da atriz Christiane Torloni com o diretor Dennis Carvalho
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Leonardo Torloni de Carvalho, filho da atriz Christiane Torloni com o diretor Dennis Carvalho

Reprodução/Redes Sociais

Cinco dias após registrar o boletim de ocorrência contra o Leonardo, Carla Sarni foi condenada a indenizar uma franqueada da Giolaser. O valor estabelecido na sentença do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) foi de R$362.960,14. Os prejuízos da franqueada, no entanto, de acordo com os autos, foi bem maior: R$ 876.990,18.

Nos autos da condenação, a franqueada aponta problemas semelhantes aos citados por Leonardo na negociação com Carla. A franqueada que acionou a Justiça afirmou, nos autos, que foi atraída pela propaganda da Giolaser, que prometia alta rentabilidade, inclusive associando a marca à atriz Giovanna Antonelli, que foi sócia de Carla no negócio.

A franqueada, então, conta que após assumir a unidade constatou que a “clínica era inviável economicamente, acumulando prejuízos mensais acima de R$ 50 mil”. A autora da ação também afirma que a franqueadora “realizou práticas abusivas, como cobranças indevidas, retenções automáticas de valores, lançamentos sem respaldo, exclusão da autora de grupos oficiais e uso enganoso da imagem de Giovanna Antonelli mesmo após sua saída da sociedade”.

Na sentença, o juiz Fábio Henrique Prado de Toledo determinou a anulação do contrato de franquia celebrado entre as partes e condenou Carla Sarni e o Grupo Salus a ressarcir a autora do processo em R$ 362.960,14.

Após o episódio envolvendo Leonardo Torloni, Carla Sarni passou a ser alvo de novas denúncias públicas de sócios e franqueados. Nos relatos, gravados em vídeo, os empresários falam da gestão pouco transparente, com exigências, cobranças e imposições fora do contrato de franquia ou de sociedade. Outro ponto em comum dos relatos trata da reação violenta de Carla Sarni ao ser questionada. Há denúncias de ameaças e perseguições.

Assista:

 

“Infelizmente faço parte desse grupo de profissionais que acreditou em números manipulados, em cenários fabricados e em promessas de um futuro que nunca existiu. Quando eu adquiri a unidade considerada perfeita, me deparei com uma realidade devastadora”, conta o dentista Luan Sales, franqueado da Sorridents. O relato segue: “Mais de R$ 400 mil em tratamentos odontológicos pendentes, pacientes mutilados, implantes instalados de forma incorreta e próteses inadequadas. Passei a responder por processos de atendimentos de pessoas que nunca vi na minha vida, enfrentei ameaça de morte, de pacientes revoltados. E eu carreguei tudo.”

Sales diz que, do lado da franqueadora, não recebeu qualquer apoio, o que acabou com sua saúde mental. Oftalmologista e casada com um primo de Carla Sarni, Priscila de Almeida tornou-se sócia da empresária na rede Olhar Certo. Em vídeo, ela conta que confiava em Carla, por ela ser “da família”. Ela conta que percebeu que Carla Sarni fazia grandes retiradas de dinheiro, sem justificativa. “Todos perceberam que ela não era correta quando o Crescera, que é um fundo, entrou no negócio e só comprou a parte da Carla”, conta.

Outro relato é da dentista Amanda Guandalini, franqueada da Sorridents e da Giolaser. “Quando você dá lucro para empresa, eles te colocam lá em cima. Quando não, eles fazem exatamente isso que fizeram com o Leo [Torloni]. Te colocam como vilão, manipulam as pessoas em volta”, conta. “As pessoas sentem medo. Muitas perderam tudo, deixaram de ter condições de fazer o básico em casa.”

“Ela ensinava a não pagar imposto, fraude fiscal, fraude trabalhista”, conta a também dentista Sabrina Balkani. Franqueada da Sorridents, ela afirma que teve suas clínicas fechadas por Carla Sarni e deixou mais de 40 mil pacientes sem atendimento. “Mas ela não se importava”, diz. “Quando descobri que naquele lugar ninguém se preocupava com o paciente, ninguém se preocupava em fazer o certo e questionei, eu passei a ser uma peça descartável.”

Alvo de dezenas de processos judiciais, como vem mostrando a coluna, Carla Sarni também é investigada por propaganda enganosa e pirâmide financeira. Todas as pessoas que denunciaram Carla Sarni em vídeo já moveram ações judiciais contra a empresária.

Fundado por ela, o Grupo Salus conta, de acordo com balanço último divulgado pela empresa, com 863 franquias de marcas, como Sorridents, de clínicas odontológicas; Olhar Certo, de oftalmologia; Amo Vacinas; e a Giolaser, que estampava a atriz global Giovanna Antonelli como “dona” e garota-propaganda. O grupo reportou faturamento de R$ 1 bilhão em 2023.

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