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“Castelo de cartas”: fundo do Pátria teve desvalorização de 3.000%
Investidores perderam todo o dinheiro aportado. Pátria causa preocupação desde que relatório apontou crise de liquidez
atualizado
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Alvo de preocupações após um relatório da casa de análise britânica Snowcap Advisors apontar uma possível crise de liquidez e manobras para inflar ativos, o Pátria Investimentos já protagonizou um dos episódios mais traumáticos do mercado financeiro brasileiro.
Em 2023, as cotas do fundo de participações Pátria Special Opportunities II despencaram de R$ 10,55 para inacreditáveis R$ 301 negativos, uma desvalorização de 3.000%. Ou seja, o investimento tornou-se uma dívida para os cotistas.
O fundo era voltado para shopping centers no interior do país. Ao comentar o assunto, à época, um sócio do Pátria afirmou que se tratava de um “erro pequeno”. “Foi um erro pequeno, de 0,03% em relação ao que temos em gestão e mesmo frente aos R$ 8 bilhões que investimos por ano”, afirmou.
Antes, caso semelhante aconteceu com outro fundo da gestora, o Pátria Special Opportunities I. O FIP (fundo de investimento em participações) era focado em investir em shoppings por meio da operadora Tenco. Com os lockdowns da pandemia por covid-19, o fundo foi reavaliado e as cotas que eram negociadas a R$ 1 mil caíram para R$ 4, uma queda de 99,7%.
“Castelo de cartas”
Como mostrou a coluna, no fim de janeiro, a casa de análise britânica Snowcap Advisors divulgou relatório levantando dúvidas sobre a liquidez e a forma como os ativos da Pátria Investimentos foram avaliados. O texto classifica a gestora como um “castelo de cartas” e apontou possíveis distorções bilionárias.
Segundo o relatório, os principais fundos da gestora — que administra US$ 50 bilhões, cerca de R$ 309 bilhões — estariam supervalorizados. Os números inflados seriam apresentados a investidores para captar recursos, sustentando, assim, a companhia.
Outra possível manobra apontada no relatório é a prática de “transações circulares”, com a transferência de ativos entre empresas e fundos próprios para gerar taxas de performance e uma “liquidez sintética”.
A coluna procurou o Pátria Investimento, mas não recebeu retorno até a publicação do texto. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.
