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Dinheiro e Negócios

“Aposta desesperada”: franqueados acionam a Justiça contra Estrela Beauty

Empresários afirmam que o Grupo Estrela escondeu situação crítica e usou franquias para captar dinheiro ilegalmente

10/08/2026 19:30
Divulgação
Fachada de loja da Estrela Beauty

Foi um sucesso imediato. A linha de maquiagem colorida e lúdica produzida pela tradicional fabricante de brinquedos Estrela tomou conta das redes sociais logo que foi lançada, em 2018. Lojas franqueadas se espalharam pelo país. Oito anos depois, no entanto, os franqueados afirmam terem sido enganados e a marca enfrenta um processo de recuperação judicial de uma dívida que supera R$ 100 milhões.

Em ação protocolada no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), empresários que investiram na Estrela Beauty argumentam que o grupo escondeu a situação crítica das contas e usou as franquias para captar dinheiro ilegalmente em uma “aposta desesperada”.

Nos autos, os empresários afirmam que o sistema de franchising teria sido usado apenas como uma ferramenta arrecadatória para aliviar o caixa da fabricante, transferindo o risco integral do negócio para terceiros.

A ação argumenta que a falta de estrutura oferecida aos franqueados, assim como mudanças abruptas nas orientações seriam indícios de que o objetivo do grupo não era manter as franquias abertas. Um dos exemplos apresentados é o envio de tabelas, por parte da franqueadora, de preços com reajustes súbitos entre 17% e 204% de um pedido para outro.

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Além disso, os empresários afirmam que a Estrela não manteve uma equipe de apoio, promovendo demissões massivas e deixando, assim, os franqueados sem respostas básicas sobre as métricas do negócio.

A petição aponta, ainda, que a franqueadora teria omitido na Circular de Oferta de Franquia (COF) o fechamento de unidades e o estágio deficitário da rede, impedindo que os investidores tivessem uma percepção real do risco.

O pedido de recuperação judicial da Estrela foi acolhido pela Justiça em junho deste ano. O processo envolve oito empresas do grupo e reconhece um passivo total de R$ 109,2 milhões. A recuperação também inclui dívidas trabalhistas de cerca de R$ 3,2 milhões.

A reportagem tentou contato com o Grupo Estrela, mas não obteve sucesso. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.