
Sâmia critica "burla às regras eleitorais", mas não informou perfis ao TSE
Deputada usou perfil não informado ao tribunal para criticar Renan Santos por não informar perfis ao tribunal

A deputada federal Sâmia Bonfim (PSol) usou as redes sociais para defender a decisão do ministro Dias Toffoli de suspender a campanha de Renan Santos (Missão), afirmando que este partido “opera sob a lógica de máfia digital, burlando as nossas regras eleitorais”. A postagem de Sâmia aconteceu em perfis que ela até agora não informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter.
Renan Santos teve a candidatura suspensa por ter feito três dias de campanha eleitoral sem ter informado ao TSE sobre 16 perfis nas redes sociais que a equipe dele controla. O candidato do Missão registrou candidatura em 7 de agosto e só apresentou a lista em 19 de agosto – a campanha começou no dia 16.
Para o ministro Dias Toffoli, informar ao TSE sobre as redes não é uma exigência de menor importância. “Campanhas eleitorais são orientadas pela liberdade de expressão, mas também pela isonomia entre os concorrentes e o direito de eleitoras e eleitores a serem expostos a meios legítimos de convencimento. No ambiente digital, a informação dos canais de propaganda oficiais assegura a transparência e viabiliza a fiscalização da regularidade por parte da Justiça Eleitoral, do Ministério Público, dos adversários e por toda a sociedade”, escreveu o ministro.
Vinte e cinco dias depois de registrar sua candidatura, Sâmia, porém, até agora não informou ao TSE possuir perfis em redes sociais como o X (onde tem 750 mil seguidores) e o Tiktok (942 mil). A candidata disse ao tribunal que só estava representada na internet no Instagram e em um site de campanha.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesFoi no X, no perfil que não informou ao TSE, que Sâmia defendeu punição a quem deixa de informar sobre suas redes sociais: “Dias Toffoli, ministro do TSE, viu uma ‘omissão estratégica’ de Renan Santos ao não declarar diversos perfis coordenados por ele nas redes sociais. Toffoli suspendeu a propaganda digital, a ida a debates e o repasse do Fundo Eleitoral. Diferente de censura, como já está choramingando o Missão, isso só revela que eles operam sob a lógica de máfia digital, burlando as nossas regras eleitorais”, ela escreveu.
O TSE exige que os candidatos informem suas redes sociais para que o tribunal, depois, liste para as plataformas quais perfis devem deixar de serem recomendados para usuários que não os seguem. A omissão, segundo Toffoli, impede a isonomia no pleito.
A coluna procurou a deputada Sâmia Bonfim, mas não teve resposta até a publicação deste text.



