
Candidatos do PT e do Missão omitem redes sociais e driblam restrições
Políticos não informaram ao TSE o endereço completo dos perfis nas redes, que seguem sendo recomendados pelas plataformas

Políticos de variados espectros políticos têm conseguido driblar a regra que proíbe as redes sociais de, durante o período eleitoral, recomendarem perfis de candidatos para usuários que não os seguem. Em São Paulo dezenas de candidatos do Missão, principalmente, mas também do PT, continuam tendo suas contas sugeridas pelo Instagram para novos seguidores.
Eles são beneficiados porque, ao listarem suas redes sociais ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, os candidatos informaram a arroba, mas não a plataforma. E não foram cobrados da informação completa pelo Tribunal ou pelo Ministério Público Eleitoral (MPE). O TSE diz que eles estão sujeitos a multas.
Funciona assim: um candidato que tenha a arroba “fulano” no Instagram e “fulano9999” no X, por exemplo, deveria informar ao TSE os endereços Instagram.com/fulano e x.com/fulano9999. Mas, em São Paulo, a maior parte dos candidatos do Missão e alguns nomes do PT só preencheram “Fulano” ou “@fulano9999”, sem detalhar a rede social a que se referiam.
Aí, ao receberem do TSE a lista de que perfis devem ter a recomendação suspensa, as plataformas não são informadas das contas desses candidatos, que escapam da restrição exigida pela legislação eleitoral. Por isso, seguem sendo recomendados pelas plataformas, chegando a mais eleitores, o que gera óbvia vantagem na corrida eleitoral.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesUm dos beneficiados é Gabriel Piauhy (Missão), influenciador que não informou ao TSE seu perfil de mais de 250 mil seguidores no Instagram, preenchendo o formulário apenas com a palavra “gabrielpiauhysp” – que a coluna verificou que é a arroba dele no X e no Instagram. O tribunal não pediu mais detalhes e o procurador José Ricardo Meirelles optou por não apresentar impugnação ao registro da candidatura.
É a mesma situação de Pedro Tourinho (PT), que foi candidato a prefeito de Campinas (SP) em 2024 e agora concorre a deputado federal. Ele também só informou a arroba “TourinhoPedro”, sem detalhar a qual rede se referia – ele utiliza a mesma arroba no Instagram, no X e no Tiktok.
Levantamento da coluna junto à base de dados de candidaturas em São Paulo localizou 125 arrobas informadas ao TRE, a maioria deles do Missão, seguido do PT. Em parte dos casos – como do deputado Kim Kataguiri (Missão) – a lista de perfis registrados junto ao tribunal eleitoral tem a arroba, mas também o link correto na rede social.
Uma verificação manual feita pela coluna, por amostragem, identificou que cerca de metade dos candidatos do Missão não informaram ao TSE a rede social onde têm seus perfis, permitindo que suas páginas sigam sendo recomendadas pelas plataformas.
À coluna, o TSE disse que a informação incompleta ou incorreta sobre as redes sociais utilizadas por candidatas e candidatos viola a legislação eleitoral e pode acarretar multa para os envolvidos e que encaminhou ofício aos partidos políticos, ao Ministério Público e aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) com orientações sobre as regras previstas na Resolução TSE nº 23.609/2019,.
“De acordo com o documento, a obrigação de informação deve ser observada ainda no momento do registro de candidatura, sendo vedada a utilização, durante a campanha eleitoral, de aplicações ou endereços eletrônicos que não tenham sido devidamente comunicados à Justiça Eleitoral. A violação à regra poderá sujeitar a candidata, o candidato e demais responsáveis às sanções previstas na legislação eleitoral, inclusive à multa estabelecida no § 5º do artigo 57-B da Lei nº 9.504/1997″, informou o TSE.
“O objetivo do TSE com a medida é assegurar a regularidade da propaganda eleitoral na internet, conferir mais transparência, rastreabilidade e segurança às informações disponibilizadas durante as Eleições 2026, impedindo, da mesma forma, a aplicação das sanções previstas em lei”, continuou o tribunal.
Já a Meta disse que atua para não recomendar contas de candidatos no Facebook, no Instagram e no Threads. “À medida que as campanhas declaram os perfis oficiais ao TSE, incorporamos e atualizamos essas informações de forma contínua para garantir o pleno cumprimento da norma. Seguimos em diálogo permanente com o Tribunal para aprimorar esse processo e endereçar eventuais lacunas”, afirmou a empresa.
A coluna procurou a assessoria de comunicação do Missão em São Paulo, que não enviou comentários até a publicação desta reportagem. Já o PT paulista reconheceu, a partir de seu departamento jurídico, que “a identificação de alguns perfis foi realizada com base no @nome” e afirmou que “eventuais erros de identificação serão corrigidos”.



