
PM promete investigar policias que liberaram bolsonarista que socou mulher
Bolsonarista Diogo Freire deu três socos em mulher que usava camisa vermelha, policiais viram e o liberaram sem nem perguntar o nome dele

A Polícia Militar de São Paulo diz ter aberto uma investigação preliminar para apurar a atuação dos policiais envolvidos em uma ocorrência na entrada da estação Butantã do Metrô, no domingo (18/10). Como mostrou a coluna, um homem bolsonarista deu três socos em uma mulher que estava com uma camiseta vermelha. Dois policiais interviram e liberaram o agressor sem sequer perguntarem o nome dele.
Questionada pela reportagem, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) disse que “eventuais desvios de conduta serão responsabilizados” e apontou que o caminho para o oferecimento de denúncias é a Corregedoria da PM, assim como “depoimentos espontâneos podem ser feitos no âmbito do Inquérito Policial”.
Liberado pelos policiais para voltar para casa sem ser importunado depois de dar três socos em uma mulher, o homem só foi identificado porque a agressão foi filmada por uma popular, o vídeo viralizou e uma fonte da coluna reconheceu tratar-se de Diogo Freire, um empresário que havia acabado de voltar de ato pró-Flávio Bolsonaro.
“A atuação do policial militar na estação Butantã deveria ter sido mais efetiva na proteção e no acolhimento da vítima, agredida com três socos sem reagir. O policial não prestou o suporte necessário para o registro da ocorrência nem realizou uma intervenção que resultasse na prisão em flagrante do agressor. Confiamos no trabalho das forças de segurança para que, agora, o caso seja devidamente apurado e as medidas cabíveis sejam adotadas”, disseram, em nota, os advogados Leandro Raca e Miguel Fragelli, que representam a vítima dos socos.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO vídeo mostra que dois policiais estavam perto e apartaram o conflito. Apesar disso, Diogo não foi sequer repreendido pelos policiais, que o liberaram para ele voltar para casa sem nem informar o nome. Como mostrou a coluna, na semana passada a Justiça determinou medidas protetivas a favor de uma mulher que Diogo teria ameaçado de matar.
No domingo, ele e a esposa começaram a importunar com ofensas uma mulher que esperava um Uber na porta da estação trajando uma camiseta vermelha. Quando ela foi até eles, levou três socos, conforme consta no boletim de ocorrência. A vítima depois prestou queixa por injúria e lesão corporal no 14º Distrito Policial e passou pelo IML e por um hospital para faze exames de corpo delito.
A Motiva, concessionária da Linha Amarela, disse a coluna que seus agentes de segurança não agiram porque o caso estava com a polícia.
“Como parte do planejamento preventivo para as manifestações deste domingo (18), a concessionária acionou proativamente a Polícia Militar para reforço da segurança nas estações. Portanto, os policiais já estavam na estação no momento da ocorrência em área livre da estação e atuaram na contenção da situação”, afirmou a concessionária, alegando que “a contenção foi realizada prontamente pela Polícia Militar, que já estava no local e assumiu a ocorrência”.
À coluna, Diogo Freire contou uma versão distinta da vítima e de outras testemunhas. Ele disse que foi provocado pela pessoa que ele agrediu, que ele não percebeu tratar-se de uma mulher – este colunista viu fotos da vítima e pode atestar que tal versão é inverssímil.
