
Jovem agredida por bolsonarista diz em BO que apanhou por estar de vermelho
Vítima de socos alega que estava esperando Uber quando foi ofendida e agredida pelo bolsonarista Diogo Freire

A jovem mulher que foi agredida pelo bolsonarista Diogo Freire na estação Butantã do Metrô de São Paulo neste domingo (18/10) abriu boletim de ocorrência e relatou que primeiro foi insultada e, depois, recebeu dois socos porque estava usando uma camiseta vermelha. A agressão ocorreu após Diogo participar de ato pró-Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista.
A coluna teve acesso ao BO registrado na 14ª Delegacia de Polícia de Pinheiros. Nele, a vítima relata que estava esperando um Uber nas proximidades da estação Butantã quando passou a ouvir provocações que, segundo percebeu, eram dirigidas a ela em razão de estar trajando roupa na cor vermelha. Uma das falas foi: “Olha a lataria de quem vota“.
Inicialmente ela ignorou as provocações, conforme relatou no BO, e se dirigiu para embarcar no Uber. Mas os indivíduos passaram a apontar em sua direção, e ela foi até eles para questioná-los sobre o que estavam falando.
“Nesse momento, um homem passou a se aproximar dela de maneira que considerou agressiva, proferindo xingamentos, chamando-a de drogada e suja, além de afirmar que ela não trabalhava. Segundo a vítima, o indivíduo ‘estufou o peito’ e avançou em sua direção, fazendo-a acreditar que seria agredida, razão pela qual se afastou”, consta no BO.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAinda de acordo com o relato dela, o homem (que agora sabe-se ser Diogo, dono da empresa de transportes DFT Logística) a puxou por trás e passou a agredi-la com três socos, dando início a uma confusão. Algumas mulheres tentaram intervir e a companheira do homem (Leda) passou a puxar a vítima pelo cabelo e a apertar o braço dela.
“Por fim, informa que pessoas que se encontravam no local começaram a registrar os acontecimentos, por meio de aparelhos celulares, ocasião em que cessaram as agressões, tendo o homem e a mulher deixado o local”, continua o BO. A polícia orientou que ela procurasse o IML para exame de corpo de delito.
O vídeo mostra que as agressões foram acompanhas por policias militares, que não contiveram o agressor. A Motiva disse em nota ao Metrópoles que os envolvidos foram atendidos sem ferimentos, e que nenhum deles quis registrar boletim de ocorrência, o que é desmentido pela existência de um boletim de ocorrência e pelo relato de que o agressor deixou o local.
A coluna conversou mais cedo com Diogo, que alegou ter sido provocado. Ele disse que deu os socos sem perceber que a vítima era uma mulher – a coluna viu um vídeo da vítima, depois apagado das redes sociais, e pode atestar que essa versão não é crível.
Também revelamos que a Justiça Estadual concedeu medida protetiva a favor de uma mulher na terça-feira (13/10), contra Diogo, depois de ele ligar para ela e persegui-la na cidade onde moram, Vargem Grande Paulista (SP), afirmando que iria matá-la.
