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Figurante relata ter sido agredido e expulso das gravações de filme de Bolsonaro
A coluna procurou o departamento jurídico da GoUp, produtora responsável por Dark Horse, mas não teve retorno
atualizado
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Um homem que trabalhava como figurante em Dark Horse, a polêmica cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), alega ter sido agredido no set de filmagem, durante gravações no Memorial da América Latina, em novembro do ano passado. Ele chegou a registrar boletim de ocorrência e realizar exame de corpo delito.
Bruno Henrique Martins do Santos – que tem DRT de radialista, mas não de ator – foi recrutado por uma empresa de casting que oferecia vaga em um “filme político de direita” mediante cachê de R$ 100. Ele participou de duas gravações e a confusão aconteceu na terceira.
“Tinha um cara lá que orientava que ninguém podia entrar com celular dentro do set. Só que eu não podia ficar sem celular, porque minha mãe tem idade avançada, vai que acontece alguma coisa. Mas tinha que guardar em uma mochila e deixar a mochila em cima de uma mesa. Nem segurança para a mochila tinha. Vai que alguém vem e abre tua bolsa e rouba teu celular”, contou ele à coluna.
Bruno não guardou o celular na mochila e o manteve dentro de uma blusa, o que foi notado por um segurança que revistava os figurantes que entravam no set. “Me levaram para fora e um americano, que não sei se era chefe dos seguranças, saiu me carregando e me chamando de ladrão, enquanto um povo gritava que eu precisava trocar de roupa, porque a roupa era da filmagem. Quando eu já estava naquela passarela que tem dentro do Memorial, para voltar pegar minha mochila, um segurança veio atrás, eu parei e ele veio para cima de mim com o dedo na minha cara”.
Foi aí que começou a agressão, segundo a vítima. “O cara meteu o dedo na minha cara, então eu empurrei ele, falei: ‘Se toca, você acha que você é quem?’. E ele começou a me dar soco, acertou meu rosto e minha testa. O óculos caiu pra trás, para baixo da ponte, quase que eu caio junto. Desci correndo para pegar o óculos, e ele veio atrás e deu uma batida na lateral da minha perna. Machuquei minha perna, fiz o exame de corpo delito que confirmou”, relatou.
Bruno chegou a pedir auxílio do sindicato dos artistas de São Paulo (Sated-SP), mas não teve retorno e acabou não abrindo processo judicial contra a GoUp Entertainment, produtora brasileira que se apresenta como a responsável pelo filme.
A coluna procurou a GoUp, através do e-mail do seu departamento jurídico, mas não teve resposta até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.
