Filme de Bolsonaro: quem são os deputados suspeitos de enviar emendas
Ministro Flávio Dino abriu apuração preliminar para investigar destinação de emendas parlamentares para filmes, incluindo o sobre Bolsonaro
atualizado
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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, nesta sexta-feira (15/5), a abertura de uma apuração preliminar para investigar possíveis direcionamentos das emendas parlamentares para projetos culturais, incluindo a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o filme Dark Horse.
Dino pede investigação sobre irregularidades na destinação de emendas para entidades ligadas a uma produtora cinematográfica. Entre as entidades citadas estão o Instituto Conhecer Brasil (ICB), Academia Nacional de Cultura (ANC), Go Up Entertainment e Conhecer Brasil Assessoria.
A apuração preliminar aberta por Dino busca informações de cinco pessoas que destinaram emendas para a produção de filmes: os ex-deputados federais Alexandre Ramagem e Carla Zambelli e os deputados federais Marcon Pollon, Bia Kicis e Mario Frias, todos membros do Partido Liberal (PL).

Saiba quem são:
- Bia Kicis
Bia Kicis é deputada federal e pré-candidata ao Senado do Distrito Federal. Próxima a Jair Bolsonaro, ela foi eleita deputada pela primeira vez em 2018 pelo PRP, indo para o PSL em 2019.
Em março de 2022, ela se filiou ao Partido Liberal e assumiu a presidência do PL Mulher DF, atuando junto a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que é presidente da liderança nacional.
Em nota enviada ao Metrópoles, Bia Kicis negou que tenha destinado emendas para o filme sobre Bolsonaro.
De acordo com a parlamentar, a destinação foi para a produção dos episódios “Portugal: Luz para o Brasil”, “José de Anchieta, o Apóstolo do Brasil” e “Dom Pedro I: o Libertador”.
“O projeto em questão possui investimento total de R$ 1.650.000,00, sendo que a emenda parlamentar indicada pela deputada corresponde a R$ 150.000,00, com caráter estritamente complementar para viabilização da iniciativa. Ressalte-se, ainda, que o valor indicado sequer foi pago até o presente momento, inexistindo, portanto, qualquer execução financeira vinculada à referida emenda. Os recursos foram destinados a um projeto de natureza cultural e educativa, voltado à valorização da história nacional e ao fortalecimento da economia criativa”, diz nota.
- Alexandre Ramagem
Delegado da Polícia Federal (PF) de carreira (depois exonerado), Alexandre Ramagem foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) do governo de Jair Bolsonaro (PL) e deputado federal eleito em 2022.
Então delegado da PF, chegou a ser nomeado diretor da corporação em 2020 por Bolsonaro, mas foi impedido de assumir pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou a proximidade com a família presidencial.
Ramagem foi condenado pelo STF por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, recebendo pena de 16 anos, 1 mês e 15 dias em regime fechado, além de perda do mandato.
- Carla Zambelli
A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), de 45 anos, está presa na Itália desde julho de 2025. Ela foi condenada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em maio, a dez anos e oito meses de prisão. A decisão se baseou na participação da parlamentar na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023, e na inserção de documentos falsos na plataforma.
Zambelli deixou o brasil no dia 25 de maio, um dia após sua condenação pela Suprema Corte. A apoiadora mais fiél do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi eleita deputada federal na onda do bolsonarismo, em 2018, pelo Partido Social Liberal (PSL) e foi reeleita em 2022 pelo Partido Liberal (PL), como a segunda deputada mais votada de São Paulo.
A Corte de Cassação de Roma, última instância da Justiça italiana, marcou para o dia 22 de maio a audiência que julgará o recurso da ex-parlamentar contra decisão que autorizou a sua extradição da país.
- Mário Frias
O deputado Mario Frias é ex-ator e ex-secretário especial da Cultura no Governo Bolsonaro, além de ser o produtor-executivo do filme Dark Horse, sobre a história do ex-presidente.
De acordo com o STF, oficiais de Justiça tentam, desde abril, cumprir uma determinação do magistrado e intimar Frias a prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares a empresas da produtora artística responsável pelo filme Dark Horse, mas sem sucesso.
Frias ganhou notoriedade política com a ascensão do bolsonarismo e deixou as telinhas para substituir Regina Duarte no ministério da Cultura. Em 2022 ele foi eleito deputado federal na Câmara dos Deputados.
O parlamentar chegou a afirmar nesta sexta-feira que produção não usou dinheiro do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar a história. “Trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco”, afirmou Mario Frias em uma publicação nas redes sociais.
- Marcon Pollon
Marcos Pollon é amigo íntimo da família Bolsonaro e recentemente recebeu o parecer positivo para a suspensão do mandato pelo prazo de dois meses. A punição se dá devido à participação no motim bolsonarista que obstruiu os trabalhos da Mesa Diretora, ocorrido em agosto do ano passado.
O relatório do deputado federal Moses Rodrigues (União Brasil-CE) alegou que a medida é necessária para deixar claro que o Parlamento não pode tolerar condutas que interrompam o processo legislativo.
O Metrópoles também procurou as defesas de Ramagem, Zambelli, Frias e Pollon, mas ainda não obteve retorno. Em caso de resposta, a reportagem será atualizada.
