Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Eleições 2026Demétrio Vecchioli

Falsos policiais invadem comitês políticos de Cezinha e de vereador em SP

Polícia Civil busca viatura clonada que teria sido utilizada. Escritórios foram revirados e vítimas dizem que nada teria sido levado

Arte Metrópoles
Falsos policiais invadem comitês políticos de Cezinha e de vereador em SP

Homens armados, se passando por policiais civis, invadiram o comitê de campanha do deputado federal Cezinha de Madureira (PL) na noite desta quinta-feira (1/10) na Mooca, bairro nobre da zona Leste de São Paulo. Em seguida, também invadiram e reviraram o escritório político do vereador e vice-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, João Jorge (MDB), na mesma rua.

Os dois são membros da Assembleia de Deus do Brás (AdBrás), têm parceria política e optaram por não registrar Boletim de Ocorrência. A Polícia Civil de São Paulo já emitiu alerta a respeito de um carro clonado da 1ª Delegacia de Polícia de Taboão da Serra (SP), que teria sido utilizado pelos bandidos.

A primeira tentativa de invasão aconteceu em um comitê de Cezinha de Madureira (PL), deputado que recentemente foi alvo de operação da Polícia Federal e, antes, abriu Boletim de Ocorrência informando ter tido seu celular furtado ao sair de outro comitê político, este na Vila Mariana.

Questionado pela coluna, o gabinete de Cezinha primeiro disse desconhecer o episódio. Depois, relatou que os homens chegaram ao comitê da Mooca, nesta quinta, vestidos como policiais civis e procurando por João Jorge. A Metrópoles ouviu relatos de que o procurado era o próprio deputado, que não estava no local.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

De acordo com a assessoria de Cezinha, os falsos policiais logo deixaram o local em direção ao escritório de João Jorge, a três quarteirões dali. A justificativa para a não abertura de um boletim de ocorrência é que os homens só perguntaram pelo vereador e logo teriam ido embora.

Escritório de João Jorge é revistado

O vereador afirmou à reportagem que quatro pessoas estavam em seu comitê político quando os invasores chegaram em uma viatura identificada como da Polícia Civil de Taboão da Serra. O local também fica na Rua Paes de Barros e é bancado por verba da Câmara Municipal.

Ainda de acordo com João Jorge, dois homens entraram no imóvel perguntando por dinheiro. Outros dois ficaram na viatura, que ficou se movimentando na rua, como se estivesse se preparando para fuga. “Como tem uma placa lá com meu nome, o pessoal achou que era comitê de campanha. Um deles estava com o distintivo da polícia. Chegaram armados e perguntando por dinheiro. Reviraram tudo e foram embora”, disse João Jorge.

Carro clonado teria sido utilizado pelos falsos policiais civis

O vereador afirma que os funcionários questionaram se os homens tinham mandado judicial, o que foi negado. “Como eles não sabiam se eram policiais ou ladrões, deixaram mexer”, relata Jorge. Ainda de acordo com o político, a ação durou cerca de 20 minutos e os homens foram embora após não encontrarem dinheiro. Nada foi roubado e ninguém ficou ferido, segundo o parlamentar.

João Jorge contou que, após o ocorrido, seu gabinete fez contato com a Polícia Civil e recebeu a informação que se tratavam de criminosos e não policiais. Imagens de câmeras de segurança foram coletadas.

O vereador ainda afirmou que policiais relataram que têm identificado ações semelhantes em comitês eleitorais, onde criminosos estariam tentando invadir para roubar dinheiro. Ele disse, no entanto, não saber de nenhum caso específico.

Investigação de emendas

Cezinha e João Jorge são citados em uma investigação do Ministério Público de São Paulo, enviada ao STF, segundo revelou o Estadão. O MSP aponta que o deputado e vereadores paulistanos participaram de um esquema de “emendas cruzadas”: o deputado enviaria verba federal para a Saúde e, em troca, vereadores destinariam emendas municipais para eventos de Cultura ou Esportes, com parte do dinheiro retornando aos envolvidos.

Ainda segundo o jornal, João Jorge aparece como quem teria fechado a troca: segundo o Gaeco, R$ 3 milhões vindos de Cezinha foram viabilizados pouco depois de um empresário intermediador conversar com ele. João Jorge nega participação e diz que jamais cobrou percentual, vantagem ou contrapartida por emendas. Os dois são investigados, sem condenação.