Demétrio Vecchioli

Prefeitura de SP paga Mundial de Vôlei para ajudar Osasco

Negociação foi conduzida por secretário de Esporte da cidade de São Paulo, que é ex-prefeito de Osasco. Competição será no Pacaembu.

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Divulgação
Imagem da quadra polidesportiva do Pacaembu, com quadra de madeira, bem brilhante, e arquibancada de concreto
1 de 1 Imagem da quadra polidesportiva do Pacaembu, com quadra de madeira, bem brilhante, e arquibancada de concreto - Foto: Divulgação

Com o prefeito Ricardo Nunes (MDB) de olho na eleição para o governo do estado, a prefeitura de São Paulo se comprometeu a bancar a realização do Mundial de Clubes Femininos de Vôlei na cidade, entre 9 e 14 de dezembro, tendo o Osasco como time da casa. A negociação foi liderada pelo secretário de Esporte da cidade de São Paulo, Rogério Lins (Podemos), que é ex-prefeito de Osasco e deve ser candidato a deputado federal no ano que vem.

A competição anual estava agendada para acontecer na China que, em agosto, anunciou à Federação Internacional de Vôlei (FIVB) que abriria mão. Sabendo que o organizador tem direito a um convite, o Osasco Voleibol Clube se interessou, mas esbarrou nos altos custos: a FIVB queria US$ 500 mil de taxa, além de uma cartilha de encargos que inclue a hospedagem para todos os participantes e a geração de imagens.

Foi quando Rogério Lins colocou sua secretaria em São Paulo à disposição para pagar a conta. Prefeito de Osasco de 2016 a 2024, ele sabe o simbolismo que o Mundial tem para a torcida do clube, um dos orgulhos da sétima maior cidade do estado. Campeão em 2012, o Osasco há 13 anos sonha em voltar à competição, que nunca mais foi vencida por uma equipe brasileira.

Em maio, o Osasco quebrou o jejum nacional na Superliga diante de um Ginásio do Ibirapuera lotado e a idea era repetir o espetáculo no Mundial, que precisa acontecer de 9 a 14 de dezembro. Mas o Ibirapuera está alugado para o Super Crowl de skate, evento nos dias 6 e 7, mas que tem longa etapa de desmontagem. O Parque São Jorge, do Corinthians, foi considerado, mas o clube alvinegro tem jogos lá no NBB, de basquete, e espera se classificar à final da Liga Futsal.

Como não faria sentido jogar no Pinheiros ou no Paulistano sem que os respectivos clubes fossem convidados para o Mundial, a solução foi levar o Mundial para o Ginásio do Pacaembu, que tem oficialmente capacidade para 2.500 pessoas e pouca aptidão para um evento de tal porte. Como comparação, os jogos do Osasco em casa costumam esgotar 4.000 ingressos em menos de uma hora.

A escolha pelo Pacaembu resolveu também um outro problema da prefeitura: achar quem assumisse o evento. O caminho habitual é um promotor privado negociar em uma ponta com o dono do torneio (a Volleyball World, braço comercial da FIVB) e, na outra, buscar apoio do poder público. No Mundial de Clubes foi diferente: o poder público negociou com a Volleyball World e precisava de um intermediário.

Prefeitura de SP paga Mundial de Vôlei para ajudar Osasco - destaque galeria
6 imagens
Brasil tem a pior colocação na história dos Mundiais de vôlei
Resultado eliminou a Seleção Brasileira
Alan e Lucarelli, jogadores da Seleção masculina de vôlei
A Itália está classificada para a final do Mundial de vôlei
Júlia Bergmann foi a jogadora da partida
Prefeitura de SP paga Mundial de Vôlei para ajudar Osasco - imagem 1
1 de 6

Buda Mendes/Getty Images
Brasil tem a pior colocação na história dos Mundiais de vôlei
2 de 6

Brasil tem a pior colocação na história dos Mundiais de vôlei

Mark Fredesjed Cristino/Getty Images
Resultado eliminou a Seleção Brasileira
3 de 6

Resultado eliminou a Seleção Brasileira

Mark Fredesjed Cristino/Getty Images
Alan e Lucarelli, jogadores da Seleção masculina de vôlei
4 de 6

Alan e Lucarelli, jogadores da Seleção masculina de vôlei

Reprodução/ Volleyball World
A Itália está classificada para a final do Mundial de vôlei
5 de 6

A Itália está classificada para a final do Mundial de vôlei

Reprodução/Volleyball World
Júlia Bergmann foi a jogadora da partida
6 de 6

Júlia Bergmann foi a jogadora da partida

Mustafa Hatipoglu/Anadolu via Getty Images

Três fontes confirmaram para a coluna que esse intermediário será a Paca Eventos, uma subsidiária da concessionária Allegra Pacaembu, que assumiu perante a Volleyball World o compromisso de realizar o evento, oferecer hospedagem gratuita aos participantes e pagar a taxa cobrada pela federação internacional. O risco é mínimo, porque a SEME de Rogério Lins já teria se comprometido a patrocinar a competição e, na prática, reembolsar o investimento da concessionária.

A participação da Paca Eventos, porém, tem sido mantida em sigilo. Questionada, a concessionária afirmou que: “assuntos relacionados à FIVB devem ser tratados diretamente com a instituição”, enquanto a prefeitura, que se disse ser “interveniente técnica” do torneio e que seu apoio se dará “eventualmente como patrocinadora do evento”, não respondeu perguntas sobre com quem negocia o patrocínio. “Por enquanto, a Prefeitura não tem contrato de patrocínio negociado”, afirmou. A FIVB não respondeu. Rogério Lins não atendeu as ligações.

Foco na imagem

A prefeitura alega que o evento terá “grande impacto financeiro para a cidade, considerando ocupação hoteleira, gastronomia, transporte e serviços”, mas a expectativa no vôlei é de uma competição pequena, pela capacidade do Pacaembu.

Prefeitura de SP paga Mundial de Vôlei para ajudar Osasco - destaque galeria
3 imagens
Projeção do estádio do Pacaembu após reforma
Empresa MGM foi contratada para atuar na documentação do Pacaembu
Ginásio do Pacaembu, onde vai acontecer o Mundial de Clubes de Vôlei
1 de 3

Ginásio do Pacaembu, onde vai acontecer o Mundial de Clubes de Vôlei

Divulgação
Projeção do estádio do Pacaembu após reforma
2 de 3

Projeção do estádio do Pacaembu após reforma

Allegra/Divulgação
Empresa MGM foi contratada para atuar na documentação do Pacaembu
3 de 3

Empresa MGM foi contratada para atuar na documentação do Pacaembu

Jéssica Bernardo / Metrópoles

O ginásio não tem estrutura para receber impresa e/ou autoridades e precisará ser adaptado. Por isso, não serão disponibilizados 2.500 lugares, capacidade oficial, mas 2.000, com cerca de 1.750 ingressos para público comum e 250 lugares de tribuna.

A prioridade, pelo que ouviu a coluna, será oferecer o melhor conforto possível a esses espectadores e um envelopamento agradável para quem vai assistir pela televisão, reduzindo a sensação de trata-se de um ginásio pequeno. No Brasil, SporTV e CazéTV disputam os direitos de transmissão — quem ganhar terá que assumir também a geração de imagens internacionais, por satélite, o que encarece bastante o serviço.

O Mundial terá a participação de Conegliano (Itália, time de Gabi), Scandicci (Itália), Praia Clube (Brasil), Alianza Lima (Peru), Orlando Valkyries (EUA), Zhetysu (Casaquistão) e Zamalek (Egito), além do Osasco, como convidado.

Sem participação na organização, o clube da Grande São Paulo também não deverá conseguir oferecer condições privilegiadas aos seus sócio-torcedores na aquisição de ingressos. A tendência é que o preço seja salgado.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?