Demétrio Vecchioli

Cidade de São Paulo cumpre menos de 20% da meta de ônibus elétricos

São Paulo tem meta de substituir 4.283 ônibus elétricos até o fim do ano, mas só substituiu 833.

atualizado

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A pouco mais de cinco semanas do fim do ano, a prefeitura de São Paulo, na gestão Ricardo Nunes (MDB), cumpre apenas 19% da meta de substituição da frota de ônibus por veículos movidos a bateria. A cidade deveria fechar o ano com 4.283 ônibus elétricos, mas tem somente 833 — a conta de substituição não inclui os trólebus, que operam há décadas.

Os números constam em inquérito civil que desde 2015 acompanha as ações da prefeitura de São Paulo para cumprir exigência de 100% dos ônibus do transporte público da cidade serem movidos a combustível renovável não fóssil. O prazo vigente é de 20 anos a partir da última modificação da lei municipal que trata do tema, em janeiro de 2018.

Em novembro do ano passado, a SPTrans apresentou um cronograma, já atrasado, que previa que a cidade teria 1.676 ônibus substituídos em 2023, um total de 3.094 no final de 2024 e de 4.283 em 2025. Só este ano deveriam ser adquiridos 1.189 ônibus elétricos para substituir os veículos movidos a combustíveis fósseis (diesel, basicamente).

A realidade, porém, está muito abaixo da projeção. No balanço mais recente, de 13 de novembro de 2025, são 833 ônibus elétricos incorporados à frota.

Quando somados a 189 trólebus que operam na cidade, a frota não dependente de combustíveis fósseis chega a 1.022 veículos, apenas 7,6% dos 13.460 veículos listados pela SPTrans. Nunes prometia que a cidade teria 20% da frota eletrificada no final de 2024.

A prefeitura tem argumentado que passa a longe de cumprir a meta por três razões principais: inviabilidade imediata de fornecimento de energia elétrica (a rede elétrica precisa ser expandida para comportar os pontos de recarga, o que depende da Enel), implantação de infraestrutura interna de recarga (instalação de pontos de recarga nas garagens, papel das empresas de ônibus) e limitações de mercado quanto à oferta de veículos (os fabricantes não conseguem fornecer os veículos na escala necessária).

No fim do ano passado, o Metrópoles noticiou que um estudo apontava que 90% das garagens da capital paulista poderiam receber até 50 ônibus sem alteração significativa na estrutura de fornecimento de energia e até 150 com pequenas e médias alterações. Como essas obras não foram realizadas, ampliar a frota elétrica não teria efeito prático — os ônibus ficariam parados no pátio.

Subvenção da prefeitura

Ainda que caiba às empresas de ônibus renovar a frota, a prefeitura participa diretamente a partir de um modelo de subvenção. Ela capta dinheiro em linhas de créditos voltados à economia verdade (só o contrato com o BNDES é de R$ 2,5 bilhões) e paga, para as montadoras, a diferença entre o preço do ônibus a diesel para o elétrico, bem mais caro.

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Se um coletivo diesel custa R$ 500 mil e o equivalente movido a energia elétrica sai por R$ 2,5 milhões, a prefeitura banca a diferença de R$ 2 milhões, por exemplo — o dinheiro vai direto para a fabricante. O valor da subvenção é recuperado ao longo da concessão, por meio de menores subsídios à tarifa cobrada dos usuários e de menores custos de manutenção e operação dos ônibus elétricos em comparação aos ônibus convencionais.

Em junho, de R$ 3,5 bilhões contratados pela prefeitura para subvencionar a compra de ônibus elétricos, pouco mais de R$ 1 bilhão havia sido gasto. Além disso, a administração municipal ainda tinha à disposição US$ 600 milhões (mais de R$ 3 bilhões) para contratar junto ao BID e ao Banco Mundial.

No começo deste ano, Nunes sancionou lei para acabar com uma meta intermediária que previa que metade dos ônibus deveria ser substituídos até 2028. O MPSP se posicionou dizendo que a medida era um retrocesso.

Procurada pela coluna, a SPTrans enviou a seguinte nota:

“A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e da SPTrans, reiteram que a cidade conta com a maior frota movida a energia limpa do país, com 1.009 ônibus, incluindo modelos a bateria e trólebus. O documento apresentado faz referência apenas aos movidos a bateria, portanto, não contempla a totalidade em operação.

Para reduzir a dependência da Enel, um dos principais fatores para possibilitar a ampliação da frota, a Prefeitura buscou na China o modelo de carregador BESS, que poderá ser instalado nas operadoras sem custo de implantação, por meio de termo de intenções assinado entre o governo municipal e a fabricante. A SPTrans também mantém contato com diversas montadoras nacionais e internacionais, para ampliar o leque de modelos elétricos disponíveis no mercado, atendendo as necessidades da cidade e suas características operacionais e geográficas, sendo necessários desde os miniônibus até os articulados. Além disso, também visando aumentar a frota sustentável disponível, a gestão municipal instituiu o programa BioSP que estuda a utilização de ônibus movidos a biometano.

Todas essas ações da gestão municipal permitiram ampliar a inclusão da frota elétrica, já que 530 unidades, ou seja, mais da metade, chegaram este ano.

Juntos, os 1.009 ônibus limpos significam 88 mil toneladas de gás carbônico a menos emitidos no ar e 35 milhões de litros de diesel economizados. A frota também equivale ao plantio de 6,5 milhões de árvores na cidade, beneficiando toda Região Metropolitana. Além do impacto ambiental e na saúde das pessoas, os ônibus elétricos oferecem viagens mais confortáveis e tecnológicas. Todos contam com ar-condicionado, tomadas USB e Wi-Fi.”

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