
Claudia MeirelesColunas

Zendaya projeta pausa na carreira e reforça importância de desacelerar
Nas produções mais aguardadas de 2026, Zendaya aponta para nova lógica de carreira e equilíbrio em Hollywood
atualizado
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Com a estreia de O Drama, romance pouco convencional que coestrela com Robert Pattinson, e a terceira temporada de Euphoria, abril marca o início de uma sequência de grande projetos para Zendaya. A agenda cheia de 2026 ainda inclui três grandes produções: A Odisseia, dirigida por Christopher Nolan; Homem-Aranha: Um Novo Dia; e Duna: Parte III.
Para quem acompanha sua trajetória, é o momento de observar — e consumir — a fase de onipresença nas telas. Em entrevista ao Fandango, durante a divulgação do longa, a atriz indicou que pretende fazer uma pausa na carreira.

“Agradeço muito a todos que apoiam meus filmes ou minha carreira de alguma forma. Sou profundamente grata, e só espero que as pessoas não se cansem de mim este ano. Porque, vou te dizer uma coisa, depois disso vou desaparecer por um tempo, me esconder por um tempinho”, afirmou.
Não há dúvida de que Zendaya desponta como um dos nomes mais relevantes de sua geração e não apenas pela versatilidade, mas por uma habilidade rara em um cenário de exposição constante: separar o que é público do que é privado.
Reservada e ocupada? Nem sempre
À primeira vista, a decisão pode soar contraintuitiva. Afinal, pausa e falta de ambição facilmente se tornam sinônimos em uma sociedade que glorifica o trabalho acima de tudo, para a psicóloga Cibele Santos o movimento toca em um ponto ainda mais sensível:
“O descanso não é um prêmio. Fomos historicamente condicionados a enxergá-lo como recompensa após a exaustão. Decisões como essa sugerem que o descanso pode ser estratégico e preventivo, e não apenas um ‘reparo’ quando o corpo já colapsou”, explica.

Na leitura da especialista, a pausa ainda carrega um peso moral. “Muitas pessoas sentem que, se não estão produzindo ou se mostrando, deixam de existir socialmente”, observa. Nesse contexto, o “desaparecer por um tempo” se torna também uma recusa à lógica da visibilidade contínua da economia da atenção.
Zendaya reflete mudança de mercado em Hollywood
Também não é exagero ler essa decisão como parte de uma mudança na forma como artistas gerenciam suas carreiras. Se antes o medo do ostracismo levava a uma sequência quase ininterrupta de projetos, hoje o excesso pode produzir o efeito contrário: a saturação da imagem.

“A preservação da identidade se torna central”, aponta Cibele. “Esse é o chamado ‘custo da exposição’: o trabalho não termina quando as gravações acabam.”
Nesse cenário, o chamado detox surge como tentativa de retomar o controle sobre a própria imagem. “É uma forma de separar o ‘eu persona’ do ‘eu real’”, completa.
É possível aplicar a lógica ao mundo real?
Embora a possibilidade de “parar de trabalhar” seja um privilégio praticamente inalcançável para a maioria da população, lógica por trás dessa decisão pode ser adaptada. A psicóloga destaca caminhos possíveis: estabelecer limites digitais, reduzir a exposição constante e criar espaços de pausa — ainda que breves — na rotina.

“Isso pode significar desinstalar aplicativos por um período, delimitar melhor os horários de trabalho ou simplesmente se permitir um intervalo sem a obrigação de otimizar cada minuto”, explica.
No fim, o que fica é um convite a revisar a ideia de que existir é produzir e a reconhecer que, em alguns momentos, o verdadeiro sucesso está justamente em saber parar.
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