Claudia Meireles

Um mundo regido por rainhas: o futuro das monarquias é das mulheres

Com mudanças nas leis de sucessão, nova geração de princesas se prepara para assumir tronos na Europa e liderar coroas na “Era das Rainhas”

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Getty Images
Official Portrait of Princess Ingrid Alexandra Of Norway
1 de 1 Official Portrait of Princess Ingrid Alexandra Of Norway - Foto: Getty Images

Durante grande parte da história europeia, as coroas foram dominadas por reis. Rainhas reinantes existiram, mas eram exceções em sistemas de sucessão que tradicionalmente privilegiavam os homens. Nos últimos anos, porém, mudanças nas constituições de várias monarquias começaram a transformar esse cenário.

Após a morte de Elizabeth II e a ascensão de Charles III ao trono britânico, nenhuma mulher permanece atualmente à frente de uma monarquia europeia. Mas esse quadro deve mudar nos próximos anos ou décadas. Graças à adoção da primogenitura absoluta, a regra que garante o trono ao filho mais velho independentemente do gênero, diversos países do continente europeu estão prestes a inaugurar uma nova fase histórica: a de várias rainhas reinantes governando ao mesmo tempo.

Bélgica, Países Baixos, Espanha, Suécia e Noruega têm hoje princesas que ocupam o primeiro lugar na linha de sucessão e que, em algum momento, deverão assumir o trono de seus pais. Muitas delas pertencem à chamada Geração Z e estão sendo preparadas com formação acadêmica internacional, treinamento militar e envolvimento em causas sociais – um retrato de como as monarquias tentam se adaptar ao século XXI.

Um mundo regido por rainhas: o futuro das monarquias é das mulheres - destaque galeria
4 imagens
Princesa Elisabeth da Bélgica
Leonor, a futura rainha da Espanha
Catarina Amália, princesa dos Países Baixos
Princesa Victoria da Suécia
1 de 4

Princesa Victoria da Suécia

Reprodução/Instagram
Princesa Elisabeth da Bélgica
2 de 4

Princesa Elisabeth da Bélgica

Getty Images
Leonor, a futura rainha da Espanha
3 de 4

Leonor, a futura rainha da Espanha

Reprodução/Instagram
Catarina Amália, princesa dos Países Baixos
4 de 4

Catarina Amália, princesa dos Países Baixos

Reprodução/Instagram

 

A pioneira da nova geração: Victoria da Suécia

A primeira dessas futuras soberanas provavelmente será Victoria, princesa da Suécia, filha mais velha do rei Carlos XVI Gustavo. Ela se tornou herdeira do trono em 1980, quando a Suécia foi o primeiro país europeu a adotar a primogenitura absoluta. Até então, o título de herdeiro pertencia a seu irmão mais novo, o príncipe Carlos Filipe.

Nascida em Estocolmo em 1977, Victoria recebeu uma educação internacional que inclui estudos na Universidade de Uppsala, na França e também na Yale University, nos Estados Unidos. Filha da a rainha-consorte Sílvia da Suécia, de origem brasileira, a princesa também tem ligação cultural com o Brasil e compreende um pouco de português.

Ao longo da vida, Victoria falou abertamente sobre desafios pessoais, como sua luta contra a anorexia na juventude, algo raro entre membros da realeza de gerações anteriores. Casada desde 2010 com Daniel Westling, ela é mãe de dois filhos – entre eles a princesa Estela, que ocupa a segunda posição na linha de sucessão e representa a próxima geração da monarquia sueca.

Victoria da Suécia

Elisabeth da Bélgica: a primeira rainha do país

Outra figura central dessa nova fase será princesa Elisabeth da Bélgica, filha mais velha do rei Filipe e da rainha Matilde. Quando subir ao trono, ela se tornará a primeira mulher a governar a Bélgica desde a criação do país, em 1831.

A mudança só foi possível graças a uma reforma constitucional adotada na década de 1990, que eliminou a preferência masculina na sucessão. Caso a regra antiga ainda estivesse em vigor, o herdeiro seria seu irmão mais novo, o príncipe Gabriel.

Nascida em 2001, Elisabeth recebeu formação internacional. Estudou no prestigiado UWC Atlantic College, no País de Gales, e depois cursou História e Política em Oxford, onde também integrou a equipe de remo da universidade. Atualmente, a princesa dá continuidade aos estudos em políticas públicas em Harvard.

Desde jovem, ela participa de compromissos oficiais e demonstra desenvoltura em discursos públicos — seu primeiro ocorreu quando tinha apenas nove anos, durante a inauguração de um hospital infantil que leva seu nome.

Princesa Elisabeth da Bélgica

Leonor da Espanha e o fenômeno “Leonormania”

Na Espanha, a herdeira do trono é a princesa Leonor, filha mais velha do rei Felipe VI e da rainha Letizia. Nascida em 2005, ela deverá se tornar a primeira rainha reinante da Espanha desde o século XIX, quando governou Isabella II.

Durante a infância, Leonor fez poucas aparições públicas, pois a família real espanhola optou por preservar sua privacidade. Com o tempo, porém, sua presença institucional cresceu rapidamente. A princesa estudou no mesmo colégio internacional frequentado por outras jovens da realeza europeia, o UWC Atlantic College, no País de Gales, e posteriormente iniciou treinamento militar – etapa considerada fundamental na preparação de futuros monarcas.

Sua popularidade também cresceu entre os espanhóis, que acompanham atentamente seus discursos, aparições públicas e até suas escolhas de estilo. A atenção da imprensa ficou tão intensa que ganhou um apelido: “Leonormania”.

Leonor

Catarina Amália e a tradição feminina da Holanda

Nos Países Baixos, o trono também deverá voltar a ser ocupado por uma mulher com a princesa Catarina Amália, filha do rei Guilherme Alexandre e da rainha Máxima.

A história da monarquia holandesa já possui uma tradição de rainhas. Entre 1890 e 2013, três mulheres governaram o país consecutivamente: Guilhermina, Juliana e Beatriz dos Países Baixos.

Nascida em 2003, Catarina cresceu com relativa normalidade para alguém destinado ao trono. Estudou em escolas públicas e, após concluir o ensino médio, ingressou na Universidade de Amsterdam, onde cursa Política, Psicologia, Direito e Economia.

A princesa ganhou respeito público ao recusar temporariamente sua generosa mesada oficial ao completar 18 anos, afirmando que, enquanto fosse estudante e não desempenhasse funções públicas, preferia não receber o benefício – decisão tomada em meio a uma crise econômica no país. Ela também demonstrou preocupação com temas contemporâneos, como saúde mental, e já falou abertamente sobre a importância de terapia psicológica.

Princesa Catarina Amália

Ingrid Alexandra: a futura rainha da Noruega

Na Escandinávia, outra herdeira é a princesa Ingrid Alexandra, filha do príncipe herdeiro Haakon da Noruega.

Nascida em 2004, Ingrid Alexandra deverá se tornar a primeira rainha reinante da Noruega em séculos – desde Margaret I da Dinamarca, que governou parte da região escandinava no final da Idade Média.

A princesa representa uma versão particularmente moderna da realeza. Assim como Catarina Amália, estudou em escolas públicas e, além disso, trabalha ocasionalmente em empregos de verão e é apaixonada por esportes, especialmente surfe e esqui. Em 2024, iniciou serviço militar no batalhão de engenharia do exército norueguês, onde atua como soldado.

Sua participação em eventos públicos começou cedo, mas ganhou destaque em 2022, quando celebrou seu aniversário de 18 anos participando de uma reunião do gabinete norueguês, privilégio reservado apenas ao monarca e ao herdeiro do trono.

Princess Ingrid Alexandra

Uma nova era para as monarquias

As mudanças que possibilitaram essa geração de futuras rainhas ocorreram ao longo das últimas décadas. A Suécia foi pioneira ao reformar suas leis de sucessão em 1980. Países como Holanda, Noruega e Bélgica adotaram medidas semelhantes nos anos seguintes, enquanto o Reino Unido implementou a igualdade na sucessão apenas em 2013.

Mais do que uma questão jurídica, a transformação reflete mudanças sociais profundas. As futuras rainhas da Europa pertencem, em grande parte, à Geração Z e cresceram em um ambiente marcado por debates sobre igualdade de gênero, saúde mental, sustentabilidade e transparência institucional.

O futuro das monarquias será feminino

Embora essas monarquias tenham hoje funções principalmente simbólicas e constitucionais, seus representantes continuam exercendo forte influência cultural e diplomática. Nesse contexto, a nova geração de princesas – mais conectada às redes sociais, às causas sociais e ao debate público – poderá redefinir a imagem da realeza no século XXI. Educadas em universidades internacionais, com formação militar e presença crescente em causas sociais, essas princesas representam uma tentativa de adaptação das monarquias aos tempos atuais.

Se durante séculos a história das coroas europeias foi escrita majoritariamente por reis, o futuro aponta para um cenário diferente. Nas próximas décadas, é bastante provável que vários tronos do continente sejam ocupados simultaneamente por mulheres — marcando uma transformação histórica silenciosa, mas profunda, nas monarquias da Europa.

Para saber mais, siga o perfil de Vida&Estilo no Instagram.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?