
Claudia MeirelesColunas

Princesa Latifa faz apelo para reabertura do caso de sequestro da irmã
Irmã de Latifa, a princesa Shamsa foi supostamente sequestrada em julho de 2000 pelo próprio pai. Ela não é vista em público há 20 anos
atualizado
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Na última semana, acusação da princesa Latifa contra o pai, Mohammed bin Rashid Al Maktoum, protagonizou as manchetes. Governante de Dubai, ele manteve a filha em uma “casa transformada em prisão”, conforme divulgou a BBC em um documentário exclusivo. Há meses, amigos da mulher de 35 anos perderam o contato com ela, que se comunicava por mensagens secretas. Nesta quinta-feira (25/2), o caso ganhou mais um desdobramento. Em uma carta, Latifa pede a reabertura das investigações do sequestro da irmã mais velha, a princesa Shamsa.
No bilhete revelado pela emissora britânica, a princesa Latifa suplica que as autoridades de Cambridgeshire ajudem a libertar a irmã Shamsa. Ela foi supostamente sequestrada em julho de 2000, após escapar de uma propriedade da família em Surrey, na Inglaterra. Quando chegou a Cambridge, sofreu perseguição e, em seguida, foi transportada de helicóptero até a França. Do país europeu, retornou para Dubai em um jato particular, segundo ordem de seu pai.

Desde o ocorrido, Shamsa não é vista em público. Em julho, o sumiço da princesa completa 21 anos. À época, ela tinha 18 anos e, agora, está com 39. Escrita por Latifa em 2019, a carta foi repassada aos órgãos competentes britânicos somente na quarta-feira (24/2). Entretanto, ela datou a correspondência com fevereiro de 2018, a fim de evitar que descobrissem sua comunicação com o mundo exterior enquanto estava em cárcere privado.
Confira um dos trechos do texto:
“Tudo o que peço é que, por favor, deem atenção ao caso dela, porque isso pode lhe valer a liberdade. A sua ajuda e atenção podem libertá-la. Ela tem fortes conexões com a Inglaterra. Ela realmente ama o país, todas as suas melhores lembranças são do tempo que passou lá”, escreveu a filha do xeque de Dubai. Aos 16 anos, Latifa tentou fugir das garras do pai. Como não conseguiu de primeira, ela planejou cada detalhe da segunda vez – contudo, os capangas de Mohammed a capturaram no litoral da Índia.

O bilhete foi entregue à polícia por amigos da princesa desaparecida. Eles criaram a campanha Free Latifa (Latifa Livre, em tradução do inglês) e pedem a intervenção da Organização das Nações Unidas (ONU) no caso. Em vídeos gravados no banheiro, Latifa contou viver refém em uma casa. Dentro da propriedade, ficam dois policiais, e fora, cinco. As duas irmãs são filhas do governador de Dubai com Houria Ahmed Lamara. Mohammed casou-se sete vezes. Dos matrimônios, nasceram mais de 20 herdeiros.
Diante da polêmica, um porta-voz da polícia de Cambridgeshire comentou os novos desdobramentos do caso Shamsa e disse que a carta será considerada “como parte de uma revisão em andamento”. “Este é um assunto muito complexo e sério. Há detalhes impróprios a serem discutidos publicamente”, destacou. Em 2019, um juiz da Suprema Corte deu o veredito de que Mohammed bin Rashid Al Maktoum sequestrou as duas filhas e as mantêm em cárcere privado.
Ao contrário da Justiça britânica, o Tribunal Real de Dubai chegou a afirmar à BBC que a princesa Shamsa era “adorada e estimada”. A única vez que o governador de Dubai comentou a respeito da filha “sumida” há mais de 20 anos foi em 2018. Ele declarou sentir-se “aliviado” por encontrar a herdeira “vulnerável” após a fuga dela. A emissora de televisão tentou obter respostas do governo do país árabe sobre os dois casos, mas sem sucesso.
Na semana passada, a ONU pediu aos Emirados Árabes Unidos uma prova de que Latifa está viva e bem. Em resposta, o governo refutou as acusações e afirmou que a princesa tem sido “cuidada em casa”. Aproveitaram para taxar o documentário da BBC e os vídeos publicados pela irmã de Shamsa no YouTube como conteúdos mentirosos. “Em resposta a reportagens da mídia sobre Sheikha Latifa, queremos agradecer àqueles que expressaram preocupação com seu bem-estar, apesar da cobertura que certamente não reflete a posição real”, declarou a família.
Veja o vídeo:
Influência
Além de governante de Dubai e vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos desde 2016, Mohammed bin Rashid Al Maktoum é um dos grandes investidores do automobilismo. Atualmente com 71 anos, ele é dono de 99,67% da Dubai Holding, empresa multinacional de serviços financeiros. De acordo com um ranking da revista Forbes de 2019, o bilionário ocupa a quinta posição dos monarcas mais poderosos do mundo, com fortuna avaliada em R$ 26 bilhões.



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