Pneumologista explica fibrose pulmonar rara da princesa Mette-Marit
A princesa herdeira Mette-Marit passou por um transplante de pulmão nesta semana. A integrante da realeza tinha fibrose pulmonar rara

Com fibrose pulmonar rara, a princesa herdeira Mette-Marit da Noruega passou por um transplante de pulmão nessa quarta-feira (17/6), conforme anunciou a Casa Real do país em comunicado. Na nota, os porta-vozes afirmaram que a operação ocorreu em um hospital em Oslo e foi bem-sucedida. A integrante da realeza norueguesa tem 52 anos.
Casada com o príncipe herdeiro Haakon da Noruega, desde 2001, Mette-Marit recebeu o diagnóstico de fibrose pulmonar em 2018. A coluna Claudia Meireles conversou com o pneumologista Jefferson Fontinele para entender a condição. O médico atende no Hospital Santa Lúcia (HSL), em Brasília (DF).

O que é fibrose pulmonar?
De acordo com o especialista, a fibrose pulmonar é uma doença que acarreta na formação de cicatrizes fibróticas no pulmão. “Essas cicatrizes vão deixando o órgão mais duro, o que consequentemente atrapalha a troca gasosa. Com isso, os pacientes enfrentam sintomas de falta de ar progressiva e tosse, em geral, seca”, esclarece.
Jefferson destaca que há várias causas e situações associadas à doença: “Existe a fibrose pulmonar idiopática, comum em pessoas acima de 50 anos e tem uma relação com o tabagismo. Quadros fibrosantes no pulmão estão relacionados à exposição a poeira, mofo, produtos químicos, doenças reumáticas e uso de medicamentos.”

O médico enfatiza que uma vez que a pessoa é portadora da condição, como a princesa Mette-Marit, pode ter a situação agravada e comprometida quando acometida por infecções respiratórias, principalmente virais, como gripes e a Covid. “Esses quadros podem contribuir para um aceleramento da perda da função pulmonar”, garante.
O pneumologista menciona que outros fatores também tendem a favorecer o agravamento da situação de uma pessoa fibrose pulmonar rara, como tabagismo e exposição à poeira, à poluição e à fumaça. Ele pontua a respeito das “famosas crises de exacerbação”: “São eventos de piora súbita da função pulmonar do paciente.”
Transplante de pulmão
Quanto ao transplante, procedimento enfrentado pela princesa da Noruega, Jefferson Fontenele detalha: “Com a progressão dessa fibrose, o pulmão vai perdendo a capacidade de troca gasosa e fica cada vez mais debilitado. Quando a doença atinge um estágio mais avançado, mesmo com o tratamento, a indicação é o transplante, no qual transplantamos um pulmão sadio no paciente para substituir aquele que já está insuficiente.”

O médico argumenta que o primeiro cuidado que um paciente com fibrose deve ter é a avaliação com um pneumologista. “O médico fará a investigação para tentar definir qual a causa da doença e prescreverá o tratamento medicamentoso mais adequado”. Ao finalizar, ele afirma que o diagnóstico precoce e o acompanhamento especializado podem fazer grande diferença.
“É fundamental parar o tabagismo, manter as vacinas em dia e evitar infecções respiratórias. A atividade física é algo importantíssimo, seja a atividade física por um profissional de educação física e a reabilitação pulmonar por um fisioterapeuta”, defende o especialista.
Jefferson evidencia ser importante adotar uma alimentação adequada e controlar outras doenças, como hipertensão, diabetes e refluxo gastroesofágico, que, às vezes, também podem agravar o quadro. Nos casos em que há uma insuficiência já importante, o uso do oxigênio suplementar ajuda o indivíduo a ter qualidade de vida.
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