Claudia Meireles

Oscar virou Copa do Mundo: Brasil, país do futebol e do cinema

Indicação de Wagner Moura reacende o orgulho nacional em ano de Copa e coloca o cinema brasileiro no centro da maior premiação da indústria

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Rich Polk/2026GG/Penske Media via Getty Images
Foto colorida de Wagner Moura, no Globo de Ouro - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de Wagner Moura, no Globo de Ouro - Metrópoles - Foto: Rich Polk/2026GG/Penske Media via Getty Images

Poucos acontecimentos mobilizam o brasileiro como uma Copa do Mundo — e, em 2026, o Oscar conseguiu provocar sensação parecida. A indicação de Wagner Moura a Melhor Ator por O Agente Secreto transformou a lista da Academia em assunto nacional, com comemorações nas redes sociais, análises culturais e um sentimento coletivo de reconhecimento internacional do cinema brasileiro.

Wagner Moura e a indicação histórica

Reconhecido internacionalmente por sua carreira sólida dentro e fora do Brasil, Wagner Moura chega ao Oscar com um papel que dialoga diretamente com a identidade política e social do país. Em O Agente Secreto, o ator entrega uma atuação contida e densa, apontada por críticos como uma das mais maduras de sua trajetória.

A indicação marca um momento simbólico para o Brasil, que volta a disputar uma das categorias mais prestigiadas da premiação com um ator profundamente ligado à produção nacional.

o agente secreto elenco troféu globo de ouro 2026 golden globes wagner moura - metrópoles
O Agente Secreto recebeu 4 indicações

O Brasil no centro do Oscar

O impacto brasileiro no Oscar 2026 vai além da atuação de Wagner Moura. O Agente Secreto aparece entre os indicados em quatro categorias, consolidando-se como uma das produções internacionais mais relevantes da temporada:

  • Melhor Filme
  • Melhor Filme Internacional
  • Melhor Direção de Elenco, para Gabriel Domingues
  • Melhor Ator, para Wagner Moura

O conjunto de indicações evidencia que o filme não foi percebido apenas como um veículo de performance individual, mas como um projeto sólido em diferentes frentes criativas, da escolha de elenco à construção narrativa.

Conquistas do cinema brasileiro deixam o país em clima de copa do mundo

Recorde histórico

Com quatro indicações, O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, entrou para a história ao igualar o recorde de Cidade de Deus como o filme brasileiro com o maior número de nomeações ao Oscar.

Em 2004, o clássico dirigido por Fernando Meirelles havia conquistado quatro indicações (Direção, Roteiro Adaptado, Edição e Fotografia), marca que permaneceu isolada por mais de duas décadas. A diferença agora está no peso institucional: O Agente Secreto concorre em categorias centrais da premiação, algo raro para produções brasileiras.

Outro título que chegou a quatro indicações foi O Beijo da Mulher-Aranha (1985), de Hector Babenco, mas como coprodução entre Brasil e Estados Unidos. O feito atual consolida o cinema brasileiro contemporâneo no centro da Academia.

Repercussão nas redes e sentimento coletivo

Minutos após o anúncio, o nome de Wagner Moura figurava entre os assuntos mais comentados do país. Artistas, cineastas e o público celebraram a indicação como uma conquista compartilhada, um belo momento de consenso cultural.

A reação reforçou a ideia de que o cinema, assim como o futebol, ainda é capaz de criar experiências de pertencimento e orgulho nacional.

Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho

Seis décadas de história

A presença brasileira no Oscar começou em 1963, com O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, primeiro filme do país indicado a Melhor Filme Internacional.

Desde então, o Brasil acumulou 12 produções indicadas, disputando 13 categorias diferentes ao longo de mais de seis décadas. Entre os marcos estão:

  • Central do Brasil (1999), que rendeu a primeira indicação de atuação ao país, com Fernanda Montenegro;
  • O Menino e o Mundo (2016), na animação;
  • Democracia em Vertigem (2020), no documentário;
  • Ainda Estou Aqui (2025), de Walter Salles, que venceu Melhor Filme Internacional, garantindo o primeiro Oscar oficialmente brasileiro.

Até então, a única estatueta associada ao Brasil era Orfeu Negro (1960), vencedora como filme internacional, mas registrada oficialmente como produção francesa.

De Fernanda Torres a Wagner Moura

Em 2025, Fernanda Torres viveu um ano histórico ao ser indicada a Melhor Atriz por Ainda Estou Aqui, repetindo o feito da mãe, Fernanda Montenegro, 26 anos depois. O filme também concorreu a Melhor Filme e Melhor Filme Internacional, categoria que acabou vencendo.

Agora, em 2026, é Wagner Moura quem assume esse papel de representação nas categorias de atuação, após uma trajetória internacional robusta que inclui festivais e premiações como Cannes, Zurique e o Globo de Ouro.

Foto de Fernanda Torres com o Globo de Ouro de Melhor Atriz na mão - Metrópoles
Fernanda Montenegro

A festa continua

Premiada no ano anterior, Fernanda Torres celebrou publicamente as indicações de O Agente Secreto e de brasileiros envolvidos na produção. Em publicação nas redes sociais, resumiu o sentimento coletivo:

“E a festa continua, né, Brasil?”

A frase sintetiza um momento raro de continuidade histórica: o cinema brasileiro não apenas chega ao Oscar — permanece.

Para saber mais, siga o perfil de Vida&Estilo no Instagram.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?