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Oncologista Igor Morbeck ensina os homens a evitarem doenças graves
Em conversa com a coluna, o médico falou sobre a importância dos homens terem hábitos saudáveis e realizar exames de rotina regularmente
atualizado
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Cada vez mais, pesquisas revelam que ter saúde não depende apenas de fatores genéticos, mas que hábitos saudáveis e acompanhamento médico são essenciais para ter qualidade de vida. No geral, o sexo feminino se preocupa mais com essas questões do que o sexo masculino. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que os homens vivem, em média, sete anos a menos do que as mulheres.
Em entrevista à Coluna Claudia Meireles, o médico oncologista do Hospital Sírio-Libanês Igor Morbeck explicou que, no geral, a falta de cuidados está relacionada, principalmente, a questões multifatoriais.
“Eles fumam e bebem mais, são mais sedentários e têm menos preocupação com a alimentação. Nós sabemos que todos esses fatores estão relacionados a inúmeras doenças. As principais são as cardiovasculares e o câncer. Outras questão é o empoderamento, no sentido de se aconteceu com algum parente, não acontecerá com eles. Além disso, por sentir-se provedor de um lar, acaba não tendo tempo para fazer check-ups e exames de rotina. Todos esses pontos contribuem para que estejam mais expostos a inúmeras doenças”, avalia.

Entre os problemas de saúde mais comuns que acometem o sexo masculino estão o câncer de próstata, infarto, insuficiência cardíaca e Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Os sintomas variam de acordo com cada doença, mas aqueles que possuem idade média entre 45 e 55 anos devem ficar atentos a determinados sinais, como cansaço em excesso, estresse, emagrecimento, falta de ânimo e concentração. Esses indícios acendem o alerta de que é hora de procurar um especialista.

“Um clínico tem a condição de fazer um diagnóstico e um check-up com exames básicos, como cardiovasculares e laboratoriais. Para os ex-fumantes, é necessário uma tomografia anual do tórax, pois reduz o risco da morte por câncer de pulmão, que é uma enfermidade gravíssima, além da colonoscopia”, explica o diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.
O preconceito e a luta pela conscientização
Um aspecto importante apontado pelo expert, que também é professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), é a questão cultural do preconceito e constrangimento em realizar determinados exames, como o toque retal — necessário a partir dos 50 anos e no combate ao câncer de próstata —; e a colonoscopia, que investiga alterações ao longo do intestino grosso e no final do intestino delgado. Ambos devem ser feitos a partir dos 45 anos.

“Esses pontos fazem que, de fato, o homem adoeça com mais frequência. Eles têm dificuldades em procurar um urologista e fazer o toque retal. Isso contribui para que muitos pacientes tenham um diagnóstico tardio da doença, e percam aquele benefício de um tratamento local e curativo com cirurgia ou eventualmente com a radioterapia”.
Igor Morbeck
Para Igor Morbeck, a educação é o caminho para que eles tenham mais esclarecimento sobre a importância de cuidar da saúde.
“É preciso fazer a informação chegar corretamente aos diferentes setores que o homem convive, principalmente no ambiente de trabalho, onde passa a maior parte da vida. Elas precisam ir a todos os lugares, por exemplo, quem vive na área rural e tem dificuldades de acesso. O conhecimento precisa ir em regiões específicas do país, que é grande e heterogênea”, afirma.

Ele acrescenta: “O que vale é estabelecer campanhas que vão atingir diferentes setores da economia do país, fazendo com que haja uma consciência e acesso. Não adianta nada um homem que não possui serviço privado de saúde ter a informação, mas quando procura o auxílio médico não consegue o atendimento adequado. Dessa forma, é necessário que o Ministério da Saúde estabeleça ações para que haja uma porta de entrada eficiente para exames de rotina e para uma conversa com especialista.”
Mudança de hábitos
Ter qualidade de vida exige mudanças consideráveis na rotina. Deixar o sedentarismo, ter uma alimentação baseada em vegetais, frutas e carne branca, diminuir o consumo de álcool e não fumar podem contribuir para evitar doenças graves.
“Essas são regras básicas que todos nós conhecemos e sabemos que são importantes, mas são esquecidas ou negligenciadas pelos homens. Dessa maneira, expõe eles a um risco muito maior do que as mulheres, reduzindo então a sobrevida e aumentando a mortalidade no sexo masculino”, finaliza Igor.
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