
Claudia MeirelesColunas

Nutricionista revela segredos do café e o impacto no envelhecimento
Novo estudo associa consumo moderado de café a marcadores de envelhecimento, e nutri explica quando a bebida pode ser uma aliada da saúde
atualizado
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O consumo moderado de café tem sido cada vez mais associado a benefícios à saúde, e um novo estudo publicado na BMJ Mental Health sugere que a bebida pode até estar relacionada a telômeros mais longos, um marcador biológico do envelhecimento. Para entender melhor esses achados, conversamos com a especialista Daniela Zaminiani, nutricionista com foco em café.
Segundo a especialista, o estudo reforça algo que a nutrição já observa na prática.
“O café é uma bebida complexa do ponto de vista nutricional e, quando consumido com moderação, já se associa a desfechos metabólicos positivos. A relação com telômeros mais longos sugere uma possível atuação em processos celulares ligados ao envelhecimento, embora ainda não possamos falar em causalidade”, explica.
Estresse, inflamação e envelhecimento acelerado
Daniela destaca que pessoas com transtornos psiquiátricos tendem a envelhecer biologicamente mais rápido por uma soma de fatores.

“Há maior carga de estresse fisiológico, alterações no padrão alimentar, consumo elevado de ultraprocessados, irregularidade de refeições e sono inadequado. Tudo isso favorece inflamação metabólica e cria um ambiente menos favorável à manutenção celular.”
Por que o café pode ajudar
O possível efeito protetor do café estaria ligado principalmente à sua ação antioxidante.
“O café é uma das maiores fontes dietéticas de antioxidantes na alimentação habitual da população. Ao reduzir o estresse oxidativo sistêmico, ele pode contribuir para um ambiente celular mais estável, ajudando a preservar estruturas como os telômeros.”
Ela ressalta que os benefícios não vêm da cafeína isoladamente.
“O café deve ser entendido como um alimento funcional complexo. Compostos bioativos como polifenóis e ácidos clorogênicos parecem ter papel mais relevante do que a cafeína sozinha.”
A importância da dose certa
O estudo aponta benefícios no consumo de 3 a 5 xícaras por dia, mas não acima disso — algo comum em nutrição, segundo Daniela.
“Existe uma faixa em que o alimento exerce efeito positivo. O excesso pode aumentar cortisol, prejudicar o sono e gerar estresse metabólico.”
O principal risco do consumo exagerado, explica, está no impacto indireto.
“Quando o café passa a mascarar fadiga e privação de sono, favorece inflamação crônica e desequilíbrios metabólicos. O café não é vilão; o problema está na falta de ajuste das doses.”
Sono: o ponto de equilíbrio
A nutricionista é categórica ao afirmar que o sono pode anular qualquer benefício.
“Se o café compromete o descanso, ele pode reverter os efeitos positivos associados aos antioxidantes. Isso ocorre especialmente quando consumido em horários inadequados ou em grandes quantidades.”

Como consumir café de forma saudável
De forma prática, Daniela recomenda:
- consumo preferencial até o início da tarde;
- atenção à tolerância individual;
- evitar bebidas adoçadas ou com excesso de ingredientes calóricos;
- optar por métodos simples, como café coado ou espresso, que preservam melhor os compostos bioativos.
Alguns perfis exigem cautela.
“Pessoas com insônia, ansiedade ou refluxo devem observar melhor quantidade e horário. Ajustar o consumo costuma ser mais eficaz do que seguir uma recomendação genérica.”
Café não age sozinho
“A longevidade não depende de um único alimento. O café pode ser um aliado quando consumido com equilíbrio e dentro de um padrão alimentar saudável. Ele soma benefícios, mas não substitui pilares essenciais como boa alimentação, sono adequado e rotina equilibrada.”
Outros hábitos também impactam a saúde dos telômeros.
“Uma alimentação rica em vegetais, frutas, fibras e antioxidantes, além de regularidade alimentar e sono de qualidade, é fundamental para a saúde celular.”

Limitações e cautela científica
Daniela lembra que o estudo tem limitações importantes, como autodeclaração do consumo, ausência de detalhes sobre tipo e preparo do café e medição única dos telômeros. “Esses fatores impedem conclusões definitivas sobre causa e efeito.”
Por isso, ela reforça que ainda é cedo para afirmar que o café faz alguém “envelhecer mais devagar”.
“Precisamos de estudos longitudinais, com maior controle sobre o consumo e o contexto alimentar como um todo.”
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