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Brasileira “Nobel da Educação” defende escola conectada à sociedade
Débora Garofalo, reconhecida internacionalmente pelo prêmio tido com um “Nobel da Educação”, destaca que a escola precisa formar cidadãos
atualizado
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O nome de Débora Garofalo ganhou os holofotes em 2026. A professora é a ganhadora da primeira edição do prêmio Global Teacher Influencer of the Year, criado pela Fundação Varkey — tido como um “Nobel da Educação”. Com a vitória, ela posiciona a educação pública brasileira no centro do debate internacional sobre inovação e impacto social.
Em entrevista à coluna Claudia Meireles, a educadora —hoje afastada do cargo da rede municipal de São Paulo — afirma que a conquista ultrapassa o âmbito individual e simboliza a potência das escolas públicas, mostrando que excelência, criatividade e produção de conhecimento também nascem nas periferias.
“Quando um projeto desenvolvido com sucata, em uma escola pública, ganha visibilidade global, quebra-se o paradigma de que excelência é privilégio de contextos favorecidos. Mostra que há potência, pesquisa, criatividade e impacto social nas periferias e nas redes públicas. Esse reconhecimento reposiciona o professor brasileiro como produtor de conhecimento e protagonista de soluções para desafios contemporâneos, como sustentabilidade, tecnologia e inclusão”, analisa.

Educação cidadã
A premiação internacional reconheceu o trabalho educacional da professora para além da sala de aula, o que de acordo com Débora é o resumo da sua filosofia pedagógica, que aposta em metodologias ativas e aprendizagem por meio de projetos que buscam solucionar problemas reais. “A escola precisa formar sujeitos críticos, capazes de ler o mundo, interpretar dados, tomar decisões éticas e atuar na sociedade. Isso é formação cidadã. O currículo é fundamental, mas ele precisa dialogar com a realidade e com os desafios do nosso tempo”, comenta.
Essa é justamente a premissa de Robótica com Sucata, projeto idealizado pela professora e que une conhecimentos teóricos com o debate da sustentabilidade. Por meio de aulas práticas, os estudantes transformam resíduos sólidos em tecnologia, o que integra conceitos de reaproveitamento, economia circular e responsabilidade ambientação.
“Vivemos uma emergência climática reconhecida por organismos internacionais e sustentada por dados científicos consistentes. Integrar sustentabilidade e tecnologia é estratégico porque forma jovens capazes de inovar com consciência ambiental. A escola precisa preparar estudantes não apenas para o mercado, mas para a preservação do planeta”, destaca Débora Garofalo.
Nobel da Educação é recado
Em um momento social onde, influenciados por questões econômicas sociais, jovens perdem cada vez mais a percepção de que a educação é um pilar de transformação, a professora acredita que esse ainda é o melhor investimento a logo prazo. De acordo com ela, os dados mostram que a escolarização ainda é um dos principais fatores de mobilização social, ampliação de renda e participação cidadã.
“A educação não é apenas um caminho profissional, é uma ferramenta de emancipação. Meu conselho é que os jovens compreendam que aprender amplia horizontes e possibilidades. A escola e a universidade precisam se reinventar, mas abandonar o estudo significa abrir mão de instrumentos fundamentais para interpretar o mundo e transformá-lo. A educação continua sendo um dos motores mais potentes de mudança individual e coletiva”, garante.
O prêmio “Nobel da Educação”, segundo Débora Garfalo, é um recado claro de que ainda é mérito investir em educação no Brasil.

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