
Claudia MeirelesColunas

Neto do médico sanitarista Oswaldo Cruz, fotógrafo morre de coronavírus
Pedro Oswaldo Cruz foi internado com a mulher. No hospital, contraiu uma infecção bacteriana e não resistiu às complicações da Covid-19
atualizado
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O fotógrafo Pedro Oswaldo Cruz, de 79 anos, morreu nesse sábado (06/06), no Hospital Silvestre, no Rio de Janeiro, após complicações decorrentes do novo coronavírus. Mais uma vítima da Covid-19, o profissional era neto do médico sanitarista e cientista Oswaldo Gonçalves Cruz, pioneiro no estudo de combate a epidemias no Brasil e que dá nome à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O corpo do fotógrafo, que era conhecido como Buzina, será enterrado nesta segunda-feira (08/06) no Cemitério São João Batista, situado no bairro de Botafogo. No local, há um jazigo da família Oswaldo Cruz. Sem filhos, ele deixou a mulher, Maria Christina Mangia, com quem foi casado por mais de 60 anos. A triste notícia teve confirmação pela cunhada de Pedro, a historiadora e curadora de arte Vanda Klabin.
Internado desde 14 de maio, o quadro de Pedro se agravou a partir do dia 26 do mesmo mês. Durante a entubação, ele contraiu uma infecção bacteriana, segundo informações do G1. “Ele faleceu devido a uma série de fatores, né? Estava fazendo hemodiálise, fez ventilação mecânica e ia fazer uma traqueostomia, ontem”, disse Vanda ao portal.

Pedro e Maria Christina começaram a sentir os primeiros sintomas da Covid-19 quando estavam em uma fazenda em Areias, no Vale do Paraíba, onde preferiram se recolher. Com falta de ar, chamaram um médico para ir até o endereço onde estavam. Lá, o profissional de saúde indicou a busca por tratamento hospitalar.
O casal foi levado de ambulância para o Hospital Silvestre. Ambos precisaram ser internados. Maria Christina se recuperou e teve alta no último dia 27 para dar continuidade aos cuidados em casa, um apartamento em Ipanema. Ela era assistente do marido, apaixonado por fotografar o patrimônio histórico da Cidade Maravilhosa e do estado carioca.
Trajetória
O resultado do trabalho deu frutos, como o livro Palácio das Laranjeiras, atual residência oficial do governador do Rio. A carreira de Pedro tem, entre os pontos altos, os registros das propriedades rurais do interior fluminense. Tamanha dedicação culminou nos livros Fazendas, Fazendas Solares da Região Cafeeira do Brasil Imperial e A Floresta da Tijuca e a Cidade do Rio de Janeiro.

O Museu Nacional de Belas Artes publicou uma nota de lamento pela morte de Pedro. No documento, a direção e os conselheiros do museu destacaram a “trajetória singular” do fotógrafo no segmento artístico. Ao longo da carreira, ele comandou exposições e projetos editoriais no museu.
“Pedro Oswaldo Cruz deixou um grande legado para as novas gerações. Neste momento de dor e perda, nos solidarizamos com sua família”, escreveu a direção do Museu de Belas Artes.
Avó
Pedro era neto do médico e cientista Oswaldo Cruz, renomado sanitarista que mudou a saúde pública brasileira, de acordo com o Ministério da Saúde. Ele encabeçou o estudo de doenças tropicais e diversas campanhas de combate a epidemias. Entre elas a peste bubônica, febre amarela e varíola, que deu origem à Revolta da Vacina, em 1904.
Em 1907, Oswaldo Cruz foi reconhecido internacionalmente pela luta contra as epidemias no Brasil no 14º Congresso Internacional de Higiene e Demografia de Berlim. Em 1909, o Instituto Soroterápico Federal foi rebatizado para levar o nome do pesquisador, tornando-se a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
A Fiocruz completou 120 anos no dia 25 de maio e é a maior instituição de pesquisa biomédica da América Latina. Atualmente, o instituto dedica-se ao trabalho na elaboração de pesquisas e ações de promoção da saúde durante a pandemia de Covid-19.
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