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Contra o sistema: relembre mulheres pioneiras que moldaram a ciência
As mulheres, apesar de terem sido excluídas da ciência por séculos, são responsáveis por avanços na programação, saúde e radioatividade
atualizado
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Durante boa parte da era moderna, a presença de mulheres nas universidades — e, consequentemente, no campo da pesquisa científica — era proibida. Quando finalmente puderam ocupar as cadeiras acadêmicas e participar da produção de conhecimento, muitas delas ainda enfrentaram outro obstáculo: o apagamento de suas contribuições. Não foram raros os casos em que descobertas importantes realizadas por mulheres foram invisibilizadas ou atribuídas apenas ao seus companheiros de pesquisa, homens.
A presença feminina nas universidades começou a ser aceita apenas no final do século XIX. A partir de então, pesquisadoras passaram a protagonizar avanços fundamentais em diferentes áreas do conhecimento — da radioatividade ao sequenciamento de DNA, passando pela programação de computadores, um campo que, curiosamente, tem origem ligada ao trabalho de mulheres, majoritariamente dominado por homens.
Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, a coluna Claudia Meireles reuniu a história de cientistas pioneiras cujas descobertas ajudaram a transformar a ciência.

Mulheres pioneiras da ciência
Marie Curie
A física e química Marie Curie é uma das figuras mais emblemáticas da história da ciência moderna. Pioneira no estudo da radioatividade, foi responsável pela descoberta dos elementos químicos polônio e rádio e acabou morrendo em decorrência da exposição à radioatividade.
Por suas contribuições, ela se tornou a primeira mulher a receber um Prêmio Nobel e, até hoje, a única pessoa a conquistar a premiação em duas áreas científicas distintas: Física, em 1903, e Química, em 1911.
Rosalind Franklin
A química britânica Rosalind Franklin desempenhou um papel decisivo na compreensão da estrutura do DNA. Utilizando a técnica de difração de raios X, produziu a famosa “Fotografia 51”, imagem que permitiu identificar a estrutura helicoidal da molécula.
Embora sua pesquisa tenha sido fundamental para o avanço da genética, o reconhecimento veio apenas anos depois, já que o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1962 foi concedido a cientistas que utilizaram seus dados sem que ela recebesse o devido crédito na época.
Ada Lovelace
Muito antes da era digital, a matemática britânica Ada Lovelace escreveu o que é considerado o primeiro algoritmo destinado a ser processado por uma máquina.
Suas anotações sobre a “máquina analítica”, idealizada por Charles Babbage, são apontadas por historiadores como o primeiro código-fonte da história. Por esse motivo, Lovelace é atribuída como a primeira programadora do mundo.
Gertrude Belle Elion
A bioquímica norte-americana Gertrude Belle Elion revolucionou o desenvolvimento de medicamentos. Seu trabalho levou à criação de tratamentos fundamentais para doenças como leucemia, malária, herpes e para a prevenção da rejeição em transplantes de órgãos.
Pelas contribuições à farmacologia, recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1988.
Ao longo da história, a trajetória dessas e oustras cientistas mostram que, mesmo diante de barreiras institucionais e sociais, mulheres foram responsáveis por descobertas que mudaram os rumos da ciência. Mais do que resgatar nomes muitas vezes esquecidos, reconhecer essas contribuições também ajuda a inspirar novas gerações de pesquisadoras.
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