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Médicas explicam sobre óleo acessível que ajuda a “salvar” o cabelo
A dermatologista Thaís Teles e a médica especialista em ciências capilares Luciana Passoni apontam os benefícios de usar esse óleo no cabelo
atualizado
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Quem tem o cabelo ressecado, quebrado, frisado ou danificado por procedimentos químicos busca uma fórmula que possa ajudar na recuperação e reconstrução dos fios — ou seja, algo que possa praticamente “salvar” as madeixas. Ao ouvir o cabeleireiro das famosas Marco Antonio di Biaggi definir o óleo de ojon como “milagroso”, a coluna Claudia Meireles entrevistou duas médicas a respeito do uso da solução vegetal como tratamento capilar.
De acordo com a dermatologista Thaís Teles, de Brasília, o óleo de ojon, embora esteja hipado na internet, é uma composição bem antiga. “É nativo de florestas tropicais, da América Central, inclusive tem no Brasil, na Amazônia”, pontua. Referência em ciências capilares, a médica Luciana Passoni, de São Paulo, explica que a fórmula benéfica para o cabelo deriva da extração da polpa da palmeira Elaeis oleifera.
Benefícios da aplicação
Thais salienta o porquê de a substância ser considerada “boa para o cabelo”: “Por conter basicamente ácidos graxos essenciais, lipídios e aminoácidos, o óleo de ojon funciona como um verdadeiro antioxidante”. Ela descreve a fórmula como “excelente” por apresentar “ótima penetração na fibra capilar, além de formar uma película protetora que revitaliza e reconstrói, tornando as madeixas maravilhosas.
Luciana, por sua vez, esclarece que o composto auxilia na reposição de aminoácidos do fio, que pode estar danificado por descoloração, progressiva, alisamento ou algum tipo de química. “Na teoria, o óleo de ojon causa essa reestruturação, principalmente das cutículas, e as mantêm mais seladas. Assim, acaba por reduzir um pouco o frizz, deixando o cabelo mais assentado e alinhado”, enfatiza.

Maneiras de usar o óleo de ojon no cabelo
A dermatologista detalha quanto ao uso da fórmula. “Se desejo mais ação antifrizz, brilho ou sedosidade do cabelo, pegarei o óleo e pingarei algumas gotinhas na máscara capilar ou no condicionador utilizado. Gosto muito dessa forma, porque não pesa”, aconselha. Na avaliação de Thaís, o indicado é adicionar em torno de 15 gotas em um dos cosméticos: “Ao fazer esse mix, o indivíduo aplica de acordo com a lavagem das madeixas.”
Nos casos de fios mais danificados, a especialista indica recorrer a um tratamento mais intensivo. Ela orienta fazer uma umectação: “Aplique o produto diretamente no cabelo e deixe agir por algumas horas ou coloque à noite, dormindo com a fórmula. Lave no dia seguinte”. A médica gosta de passar a solução antes de ir para a academia. Na ocasião, ela costuma prender as madeixas de forma mais frouxa: “Faço desse jeito e fico com menos tempo.”

Especialista em referência em ciências capilares, Luciana Passoni esclarece que aplicar o óleo de ojon no cabelo antes de entrar no mar ou piscina funciona como uma proteção ao fazer uma película no fio. “Forma uma blindagem muito grande, uma selagem forte, contra agentes externos, como os minerais oxidativos não penetram na fibra capilar, principalmente nas descoloridas, que já têm uma cutícula um pouco desgastada”, elucida.
“Pode ser usado à noite para fazer aquele cronograma capilar de cuidar do fio enquanto dorme ou está na academia. Eu não aconselho passar o dia inteiro com a fórmula por conta da cosmética, é algo bem melado”, orienta a médica.
Luciana ressalta sobre a substância rica em aminoácidos poder ser aplicada em todos os tipos de madeixas. Ao complementar a respeito do tópico, Thaís Teles faz ressalvas quanto à dose utilizada: “Quem tem fios oleosos, é importante diminuir a quantidade. Use as gotinhas no condicionador mesmo. Se for mais ressecado, merece ser usado mais vezes, com o cuidado de preferir passar nas pontas e no comprimento do cabelo do que no couro cabeludo”, aconselha.

Cuidado para não exagerar!
Caso veja o óleo de ojon como “salvador da pátria” — ou melhor, do cabelo —, a dermatologista alerta que aplicar o produto de modo exagerado tende a causar problemas, a exemplo de irritação do couro cabeludo e dermatite seborreica com descamação e vermelhidão. “O excesso de oleosidade facilita a proliferação de fungos. Precisamos tomar cuidado para não extrapolar no uso”, avisa Thaís.
Luciana menciona que o óleo de ojon em excesso tende a obstruir folículos pilosos e provocar o aumento da produção de sebo: “Pode gerar caspa, a tão terrível dermatite seborreica e desencadear a queda dos fios”. Ela frisa quanto à fórmula ser utilizada para a haste. “Não atua em folículo piloso, não consegue penetrar a camada epidérmica e dérmica. O produto é usado na parte morta do cabelo, que é o fio”, finaliza a especialista.

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