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Médica explica se H. pylori pode ser transmitida por água e alimentos
A gastroenterologista Maria Júlia Colossi esclarece se há risco de contaminação pela H. pylori por meio do consumo de água e alimentos
atualizado
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Quem acompanha os conteúdos publicados na coluna Claudia Meireles tem se deparado com abordagens a respeito da bactéria Helicobacter pylori, mais conhecida como H. pylori. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), a infecção pelo micro-organismo, que coloniza o estômago, é considerado um problema de saúde pública por afetar metade da população mundial.
Diante do alto índice de infecção, principalmente no Brasil, a gastroenterologista Maria Júlia Colossi foi questionada se um indivíduo pode ser contaminado pela H. pylori por meio da ingestão de água e do consumo de alimentos não higienizados corretamente. A mestra pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) tece os esclarecimentos.
“Ainda em 2026, as vias de contaminação pela H. pylori não são completamente compreendidas e a contribuição relativa de cada uma das vias descritas também não pode ser estabelecida com precisão”, explica a médica. A especialista em endoscopia digestiva prossegue: “De uma forma geral, para ter a capacidade de contaminar, o micro-organismo precisa sobreviver.”
Maria Júlia detalha: “Para essa bactéria o que se sabe é que, fora do estômago humano (reservatório dela), sobrevive por tempos variáveis e precisa modificar seu formato para isso”. Nesse processo de transformação, a H. pylori assume uma forma menos infectante e com menor capacidade de reprodução, ou seja, reduz a probabilidade de colonizar uma pessoa.

Membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), a especialista acrescenta que a contaminação diretamente por água contaminada ou alimentos não higienizados, por exemplo, tem menor papel “nos estudos que avaliaram a quantidade de culturas viáveis nesses meios.”
“Claro que água e alimentos têm potencial de abrigarem partículas contaminantes de fezes e, eventualmente, causarem infecção, mas essa participação é muito menor do que o contato pessoa infectada com pessoa não infectada por tempo prolongado e na infância”, argumenta a a professora assistente de gastroenterologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP).
A gastroenterologista faz um alerta para quem tem receio de comer salada fora de casa e contrair a bactéria H. pylori. “Isso é menos provável do que ter contato com alguém que mora no mesmo teto que você e está contaminada”, finaliza a membro titular da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed).

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