Claudia Meireles

JOMO: tendência comportamental reforça necessidade de desacelerar

O JOMO propõe a desconexão das redes sociais e compromissos para focar em si mesmo, como uma convite à pausa

atualizado

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mulher contempla o por do sol. necessidade de desacelerar é um dos sintomas do JOMO
1 de 1 mulher contempla o por do sol. necessidade de desacelerar é um dos sintomas do JOMO - Foto: null

Em uma sociedade marcada pela hiperconexão, pela comparação constante e pela sensação de urgência permanente, o medo de ficar de fora de experiências é sintoma de um modelo que valoriza status e pertencimento. Na contramão desse cenário, ganha espaço o JOMO, sigla em inglês para joy of missing out, ou “a alegria de estar de fora”.

De acordo com a psicóloga clínica Candice Galvão, o conceito surge como resposta ao esgotamento provocado pela hiperconexão.

“Ele representa uma mudança de eixo: da validação externa para a autorregulação emocional, do excesso para a escolha, da presença compulsória para a presença consciente”, explica.
jomo é necessidade de ficar de fora
O JOMO surge da necessidade de desacelerar

Priorização ou problema de socialização

Embora esteja associado à necessidade de desacelerar, a especialista ressalta que é a motivação por trás do comportamento que determina se ele é saudável ou um sinal de dificuldade de socialização. Quando o JOMO nasce da escuta do próprio cansaço, da necessidade de pausa e do desejo genuíno de recolhimento, tende a ser positivo.

Há necessidade de avaliar motivação do isolamento para definir se o mesmo é saudável

“Por outro lado, quando surge de evitação constante, medo de vínculo ou isolamento rígido, pode indicar dificuldades de socialização. A diferença está na consciência da escolha e na qualidade dos vínculos preservados”, elucida Candice Galvão.

JOMO: como praticar

Na avaliação da psicóloga, o JOMO favorece a reconexão do indivíduo consigo mesmo ao reduzir o ruído externo e abrir espaço para a escuta interna, a percepção do próprio ritmo e o reconhecimento de limites e desejos reais.

JOMO pode abrir espaço para escuta interna e escolhas mais concientes
“Ao escolher não estar em tudo, a pessoa passa a estar mais em si. O JOMO não é a alegria de ficar de fora do mundo, e sim a possibilidade de voltar a se habitar”, afirma.

Para incorporar essa prática no dia a dia, a especialista sugere atitudes simples: ouvir o próprio corpo antes de aceitar convites, diferenciar desejo de obrigação e reduzir a exposição às redes sociais. “É preciso priorizar qualidade em vez de quantidade de compromissos. Não se trata de desaparecer, mas de escolher com mais consciência”, orienta.

Benefícios

Entre os principais benefícios associados à prática do JOMO estão a redução da ansiedade, a diminuição da comparação social, maior presença emocional, menos culpa, melhor regulação emocional e relações mais respeitosas aos próprios limites. Também são observadas menor exaustão mental e maior clareza sobre prioridades.

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