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Hepatologista explica como suplementos de cúrcuma afetam o fígado
Mestra em gastroenterologia, a hepatologista Liz Marjorie aponta os riscos para o funcionamento do fígado ao usar suplementos de cúrcuma
atualizado
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Quem assistiu ao décimo terceiro da episódio da segunda temporada da série The Pitt, disponível na HBO Max, deparou-se com o caso de uma paciente com problemas hepáticos desencadeados pelo consumo exagerado de cúrcuma, também conhecida como açafrão. Considerados naturais, medicamentos e suplementos à base da planta costumam ser usados sem prescrição médica. Entretanto, a ingestão dessas fórmulas pode prejudicar o funcionamento do fígado.
Após conferir a situação mostrada no programa vencedor do Emmy, a coluna Claudia Meireles recorreu à hepatologista Liz Marjorie, mestra em gastroenterologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A médica explica a respeito da relação entre o uso dos suplementos de cúrcuma e os danos causados ao fígado, órgão responsável por funções que auxiliam no metabolismo, imunidade, digestão, desintoxicação e armazenamento de vitaminas.
De acordo com a especialista, que atende em Juazeiro do Norte (CE), é fundamental separar a utilização culinária do uso em suplementos. “A cúrcuma usada como tempero na comida é segura e benéfica”, destaca. Ela salienta que o risco surge devido à ingestão das fórmulas concentradas, que buscam maximizar a biodisponibilidade.
“Como o corpo absorve pouca curcumina naturalmente, é comum adicionar substâncias, como a piperina (extrato de pimenta-preta), com potencial de aumentar essa absorção em até 20 vezes”, atesta a hepatologista.
Liz Marjorie afirma que a alta concentração pode sobrecarregar as células hepáticas.
Outro detalhe pontuado pela médica envolve o componente de suscetibilidade genética. “Algumas pessoas têm uma característica no sistema imunológico que faz com que o fígado identifique o suplemento como um agressor, desencadeando uma ocorrência inflamatória grave”, garante.

Conforme a gastroenterologista, o paciente deve informar ao médico sobre todos os suplementos, vitaminas e produtos naturais utilizados. “Muitos indivíduos omitem essa informação por acreditarem que fórmulas naturais são inofensivas, o que acaba atrasando o diagnóstico”, argumenta a especialista.
Anvisa
Em março deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou um alerta de “farmacovigilância” para quem utiliza medicamentos ou suplementos alimentares que trazem cúrcuma na composição. “Investigações internacionais identificaram casos raros, mas graves, de inflamação e danos ao fígado associados ao uso desses produtos em cápsulas ou extratos concentardos”, escreveu a instituição no aviso.
Antes de lançar o alerta, a Anvisa tomou por base avaliações internacionais que identificaram casos suspeitos de intoxicação hepática em pessoas que utilizaram produtos com cúrcuma ou curcuminóides. “O problema está associado especialmente a formulações e tecnologias que promovem um aumento na absorção da curcumina em níveis muito acima do consumo normal”, frisou a agência.

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