
Claudia MeirelesColunas

Escovar o rosto? Dermato explica riscos e benefícios da técnica viral
Nas redes sociais, a técnica de escovar o rosto traz a promessa de melhorar o contorno do rosto e o aspecto da pele
atualizado
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Nas redes sociais, a cada semana uma nova técnica surge com a promessa de melhorar a pele. A bola da vez é a facial dry brushing, uma técnica que consiste em escovar o rosto com a pele seca, utilizando escovas de cerdas macias e naturais. Entre as adeptas, o relato é que esse cuidado pode melhorar o contorno facial, diminuir o inchaço e trazer mais viço.
Em busca de entender os reais benefícios da escovação do rosto, a coluna conversou com a dermatologista Melissa Maeda, do Hospital Nove de Julho. A profissional explica que o procedimento tem como principal benefício a esfoliação mecânica — com remoção das células mortas da derme, o que traz uma melhora na textura e traz luminosidade.
Lifting facial e riscos de escovar o rosto
Apesar das imagens que circulam na internet, a dermatologista explica que a técnica não é capaz de definir o maxilar de forma permanente. “A melhora no contorno facial vista nas redes sociais é um efeito temporário de estímulo à circulação sanguínea e auxílio na drenagem de líquidos retidos na face, os edemas. A técnica não altera a estrutura óssea ou muscular nem elimina gordura localizada na região do maxilar”, alerta.
Além disso, a especialista destaca que escovar o rosto de forma inadequada pode trazer riscos à saúde da pele, provocando microlesões, irritação, vermelhidão e até o comprometimento da barreira cutânea. “A técnica é contraindicada para pessoas com acne ativa, rosácea, eczema, psoríase ou sensibilidade extrema. Em peles mais escuras, o uso repetido pode ainda desencadear hiperpigmentação pós inflamatória”, alerta.

Cuidados necessários
Na falta de comprovações científicas, a dermatologista Melissa Maeda avalia que os benefícios da escovação a seco no rosto trazem os mesmo ganhos que a esfoliação convencional — mais efetiva — proporciona. Outras alternativas são a drenagem linfática manual, o ultrassom microfocado e a radiofrequência. “O uso de ativos tópicos, como retinoides e vitamina C, sempre com prescrição dermatológica, também auxiliam na melhora do viço e luminosidade da pele”, garante.
Para quem ainda assim deseja testar a técnica, a especialista orienta utilizar apenas escovas específicas para o rosto, com cerdas macias e aplicar movimentos leves, para evitar ardor ou vermelhidão. “O uso deve se limitar a uma ou duas vezes por semana e é necessário hidratar a pele imediatamente após o procedimento com produtos reparadores, para restaurar a barreira cutânea”, finaliza.

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