
Claudia MeirelesColunas

Como padrões mentais influenciam o emagrecimento além da fome
Mesmo com menos fome, hábitos e emoções permanecem. Psicóloga explica por que mudar a mente é essencial para manter o peso e evitar recaídas
atualizado
Compartilhar notícia

Emagrecer não é apenas uma questão de regular a fome, o apetite ou ajustar a alimentação. Para muitos pacientes, inclusive aqueles que utilizam canetas emagrecedoras, o maior desafio está nos padrões mentais e emocionais que acompanham a comida desde a infância.
A psicóloga e nutricionista Cibele Santos explica por que mudar o corpo é apenas uma parte do processo, e como a mente pode interferir diretamente na manutenção do peso.
Padrões mentais que não desaparecem com a perda de peso
Segundo Cibele, os chamados padrões mentais e comportamentais são formados ao longo da vida e moldam como o indivíduo pensa, sente e age diante da comida.
“São crenças e hábitos profundamente enraizados, ligados a merecimento, autoestima e compensação emocional. Eles não somem só porque a pessoa perdeu peso ou começou a usar um medicamento”, afirma.
Esses padrões funcionam como um “modo automático”: mesmo diante de menos fome física, o cérebro mantém antigas respostas emocionais, o que pode dificultar escolhas mais conscientes.
Comportamentos alimentares que persistem mesmo com menos fome
Para a especialista, comportamentos aprendidos desde cedo — como comer por ansiedade, estresse, tédio, tristeza ou recompensa — tendem a permanecer, independentemente da fome real.
“O apetite pode diminuir artificialmente, mas as emoções não. E isso pode confundir a percepção de fome e saciedade, além de aumentar o risco de episódios de compulsão ou descontrole quando a medicação oscila”, explica.
Mudanças emocionais durante o uso de canetas emagrecedoras
A perda de peso rápida ou mais fácil costuma vir acompanhada de uma carga emocional intensa.
“É comum que o paciente crie expectativas elevadas ou sinta ansiedade sobre o processo. O acompanhamento psicológico ajuda a lidar com essas mudanças e evita que a própria busca pelo resultado vire fonte de sofrimento”, diz Cibele.

Por que trabalhar as emoções é essencial
De acordo com a psicóloga, para que o emagrecimento não dependa exclusivamente da medicação, é preciso desenvolver novas estratégias para lidar com emoções desconfortáveis.
“Identificar gatilhos, manejar o estresse e usar ferramentas como mindfulness e psicoeducação ajudam o paciente a escolher respostas mais saudáveis do que recorrer à comida.”
Durante o tratamento, expectativa irreal e pressão pelo resultado costumam gerar frustração.
“O suporte psicológico ajuda a lidar com a lentidão, com as pausas e com a sensação de que algo está ‘errado’. Também evita que o medo de engordar substitua antigos padrões emocionais, criando rigidez e culpa.”
Quando o corpo muda, mas a mente não acompanha
Outra questão comum é a dificuldade de reconhecer o próprio corpo após o emagrecimento.
“Algumas pessoas continuam se percebendo, ou se comportando, como se estivessem no peso antigo. Essa desconexão entre corpo e autoimagem prejudica a manutenção dos resultados e pode levar à autossabotagem”, explica.
Para Cibele, mudar a mentalidade não é ter “força de vontade”, mas sim construir um estilo de vida novo.
“Isso envolve rotina, manejo do estresse, organização, hábitos sustentáveis e novas formas de lidar com emoções. É um processo diário, não uma decisão pontual.”

Quando é preciso intensificar o apoio psicológico
Sinais como culpa após comer, rigidez alimentar, baixa autoestima, críticas constantes ao próprio corpo, comparações sociais e medo excessivo de engordar merecem atenção.
“Esses comportamentos podem indicar riscos de transtornos alimentares. O acompanhamento mais próximo garante segurança e equilíbrio”, reforça Cibele.
Entre as abordagens mais eficazes, Cibele destaca a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a psicoeducação, técnicas de regulação emocional e mindfulness.
“A consolidação dessas mudanças varia de pessoa para pessoa, mas a regularidade é o que garante resultados duradouros.”
Para a especialista, o cuidado multidisciplinar é o que realmente sustenta o emagrecimento no longo prazo.
“A colaboração entre psicólogo, nutricionista e médico é essencial para prevenir recaídas, orientar o fim do uso da medicação e ensinar estratégias práticas de manutenção. Emagrecer é uma parte do caminho. Manter o peso com saúde requer uma visão integrada.”
Para saber mais, siga o perfil de Vida&Estilo no Instagram.










