
Claudia MeirelesColunas

Botox preventivo antes dos 25 vira tendência e acende alerta médico
Uso precoce de botox dispara entre jovens, mas especialistas alertam para riscos e defendem indicação individualizada e cautelosa
atualizado
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Impulsionado pelas redes sociais e pela busca por padrões estéticos cada vez mais irreais, o uso do botox entre jovens tem avançado de forma significativa, e já acende um alerta entre especialistas. A preocupação com a aparência e o medo de envelhecer estão surgindo cada vez mais cedo. Entre integrantes da Geração Z, o interesse por procedimentos estéticos aparece antes dos 25 anos.

Dentro desse contexto, uma abordagem mais sutil vem ganhando espaço entre os mais jovens: o chamado baby botox. A técnica consiste na aplicação de microdoses da toxina botulínica em mais pontos do rosto, com o objetivo de suavizar as expressões sem comprometer a naturalidade. O resultado mais discreto tem atraído especialmente quem busca prevenir marcas ou iniciar nos procedimentos estéticos de forma gradual.

O que é o botox preventivo?
O chamado botox preventivo consiste na aplicação da toxina antes que as rugas se tornem permanentes. A proposta não é congelar a expressão, mas suavizar a ação muscular ao longo do tempo.
“A ideia não é paralisar o rosto, mas reduzir levemente a força das contrações musculares, evitando que as marcas de expressão se tornem estáticas ao longo do tempo”, explica a especialista em harmonização facial da Clínica Omint, Fabiana Corrêa Mostafa.
Embora a faixa entre 25 e 30 anos seja frequentemente usada como referência, não existe uma idade ideal universal. Fatores como genética, tipo de pele, exposição solar e intensidade das expressões faciais são determinantes para a indicação, ou não, do procedimento.

Quando considerar o procedimento?
O principal sinal está na transição das chamadas rugas dinâmicas, como aquelas que aparecem ao sorrir ou franzir a testa, para as rugas estáticas, visíveis mesmo com o rosto em repouso.
“Se a marca demora para desaparecer ou já pode ser percebida sem a expressão, é um indicativo de que o colágeno começou a ceder. Esse é o momento em que o procedimento pode fazer mais sentido”, orienta a especialista.
Segundo ela, a avaliação deve ser sempre individualizada, levando em conta não apenas a idade, mas também o histórico e as características de cada paciente.

Uso precoce exige cautela
Apesar de ser considerado seguro quando bem indicado, o uso precoce ou excessivo da toxina botulínica pode trazer consequências ao longo do tempo.
“O uso contínuo e sem necessidade pode levar a uma leve perda de volume muscular, já que o músculo pouco estimulado tende a diminuir com o passar dos anos”, alerta Fabiana.
Além dos efeitos físicos, há também um componente comportamental importante. A busca antecipada por procedimentos estéticos nem sempre está ligada a uma necessidade real, mas sim à comparação constante com padrões difundidos nas redes sociais.
“Por isso, o acompanhamento de um profissional habilitado é fundamental. Menos é mais: doses adequadas, intervalos respeitados e uma abordagem individualizada garantem resultados mais naturais”, afirma.

Beleza sem excesso
Para a especialista, é importante reforçar que o envelhecimento faz parte do processo natural e não deve ser encarado como algo a ser corrigido a qualquer custo.
“A estética deve acompanhar a individualidade de cada pessoa, respeitando suas características e expressões. O objetivo não é apagar o tempo, mas cuidar da pele com equilíbrio e consciência”, conclui.
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