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Vorcaro priorizou negócios com filme de Bolsonaro e esposa de Moraes

Pagamento de produção seria “o mais importante disparado”; contrato com escritório, “o mais importante”; cifras são de R$ 130 milhões

14/09/2026 04:09
Vinícius Schmidt/Metrópoles
O ministro do STF Alexandre de Moraes e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

O empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, preso por suspeita de fraudes contra o sistema financeiro nacional, tratava com prioridade dois negócios que ele fez: o patrocínio do filme “Darkhorse”, acertado com o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), e o contrato de prestação de serviços com a esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Os dois negócios retirariam, cada um, cerca de R$ 130 milhões do caixa do Master para o filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro e para o escritório de advocacia da esposa do magistrado, a advogada Viviane Barci de Moraes. O ministro do STF foi relator do processo levou o pai de Flávio Bolsonaro à cadeia por golpe de estado e organização criminosa. Adversários na política, os dois estavam no mesmo plano de negócios de Daniel Vorcaro, mostram diálogos e comprovantes de pagamento obtidos pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero.

O pagamento do filme “Darkhorse” era “o mais importante disparado”, segundo mensagem de Vorcaro para seu cunhado, Fabiano Zettel. A mensagem foi usada pela Procuradoria Geral da República (PGR) na argumentação para pedir inquérito contra o banqueiro, seu grupo, Flávio Bolsonaro e um irmão dele, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O pedido foi feito ao ministro André Mendonça, que autorizou a investigação em julho passado.

No diálogo com Zettel, na noite de 28 de janeiro de 2025, Vorcaro reclama no atraso do pagamento da parcela do patrocínio ao filme.

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“Filme vc pagou? (…) Putz (…) Esse e o mais importante disparado Não pode falhar mais” – Vorcaro, em 28 de janeiro de 2025, às 21h.

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Zettel pergunta a Vorcaro se deve somar o valor para pagar no dia seguinte. Vorcaro confirma: “Soma”.

O acordo com Flávio Bolsonaro para o filme, feito em dólares, era de R$ 131 milhões segundo a cotação da época. Pelo menos R$ 61 milhões foram pagos, pelo que se sabe até o momento. O senador responde a um inquérito policial e tem dito que se trata de dinheiro privado.

“Manda pagar agora”, disse banqueiro

Menos de dois meses depois de cobrar o cunhado pelo dinheiro no filme dos Bolsonaro, Vorcaro dava atenção a outra prioridade financeira: o ministro Alexandre de Moraes.

Em 15 de março de 2025, Vorcaro é cobrado pelo empresário e ex-ministro das Comunicações Fábio Faria sobre atrasos no pagamento ao escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Foi Farai quem aproximou o banqueiro do magistrado. “O careca não pode atrasar”, escreveu Faria, às 15h07min. Quase que instantaneamente, Vorcaro manda mensagens cobrando o funcionário Ângelo Silva.

“Ângelo [palavrão] não pagaram barci moraes [sic] (…) contrato mais importantw [sic] que temos (…) Surreal (…) Manda pagar agora” – Daniel Vorcaro, em 15 de março de 2025

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As prioridades continuaram em julho de 2025. Vorcaro discutia pendências financeiras com um outro funcionário do Master, que informava que havia débitos de R$ 42 milhões. Ele pedia autorização para quitar R$ 15 milhões. Vorcaro confirma e manda incluir o escritório na relação. “Paga 15 e inclui o barci moraes [sic]”, escreveu o banqueiro para o funcionário Alberto Félix em 14 de julho de 2025 às 16h54.

O acerto de Vorcaro e do escritório Barci de Moraes era de um contrato de R$ 134 milhões por três anos. Pelo menos R$ 80 milhões foram efetivamente pagos pelo que sabe até o momento.

Moraes chegou a dizer que nunca se encontrou com Vorcaro. Um julgamento no STF pode resultar na abertura de um inquérito contra ele, um ministro da corte. A sessão está marcada para a próxima terça-feira (15/9).