
Andreza MataisColunas

Negócio com Toffoli respinga em Ratinho Jr em meio a disputa com Moro
Governadores do mesmo partido, Leite e Ratinho Jr disputam a vaga presidencial do PSD, Escolha será de Gilberto Kassab, presidente da sigla
atualizado
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A revelação do que o apresentador Ratinho foi sócio dos irmãos do ministro Dias Toffoli num segundo resort da rede Tayayá, no Paraná, respigou no governador Ratinho Junior (PSD), que tem como principal adversário no Estado o senador Sérgio Moro (União Brasil), um antagonista da atual composição do Supremo. Moro lidera as pesquisas para o governo.
No segundo mandato, Ratinho Junior tenta se viabilizar como nome do PSD para disputar a presidência da República. Ele disputa a vaga com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.
Leite aparece nas pesquisas com pouca rejeição e alto índice de votabilidade e é tido como uma terceira via mais pura, sem estar nos polos bolsonarista ou lulista.
A definição de quem será o candidato caberá a Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, responsável por conduzir a estratégia eleitoral da legenda.
O imbróglio que envolve a rede de resorts Tayayá, no Paraná, é alvo de questionamentos por causa da venda de um dos empreendimentos ligados à família do ministro do STF Dias Toffoli a pessoas do entorno dos irmãos Joesley e Wesley Batista e, antes disso, a um fundo administrado pelo Banco Master.
Toffoli é o relator das investigações sobre o banco e já atuou em processo beneficiando a empresa dos Batista. Agora, a revelação de que o apresentador Ratinho foi sócio dos irmãos do ministro em um segundo resort do mesmo grupo ampliou o alcance político do caso, com desgaste para o filho.
Possibilidade de voto
Levantamento nacional da Real Time Big Data, feito entre 5 e 16 de dezembro de 2025, a que a coluna teve acesso, mostra que Leite tem hoje o maior espaço de crescimento entre os pré-candidatos de perfil moderado. Ele registra 30% dos eleitores que dizem que seu nome é “uma possibilidade de voto”, o maior índice nessa faixa entre os governadores testados.
O dado mede potencial de expansão, e não apenas voto consolidado. Nesse quesito, Ratinho Jr aparece bem atrás, com 12% dizendo que poderiam votar nele.
Outro indicador que favorece Leite é a resistência eleitoral mais baixa. Apenas 18% afirmam que “não votariam de jeito nenhum” no governador gaúcho. Entre os nomes do campo de centro-direita testados, é um dos menores índices de rejeição. Ratinho Jr, por sua vez, tem 31% de rejeição absoluta, um patamar bem mais alto e que dificulta crescimento fora de sua base regional.
A diferença de perfil entre os dois também aparece no grau de desconhecimento. Ratinho Jr ainda enfrenta 16% que dizem conhecê-lo pouco e dificilmente votariam, sinal de imagem ainda regionalizada. Leite também tem desafio de projeção nacional, mas seu índice de voto potencial sugere maior capacidade de diálogo com o eleitor fora da bolha política tradicional.
Na prática, os números indicam que Eduardo Leite hoje é um nome mais competitivo para ocupar o espaço de alternativa à polarização. Ele combina maior potencial de voto com menor rejeição, enquanto Ratinho Jr enfrenta um teto eleitoral mais visível e resistência mais elevada.
O levantamento ouviu 33.300 eleitores nos 27 estados, com margem de erro de dois pontos percentuais e 95% de confiança








