
Andreza MataisColunas

Malafaia quer monetização de áudios com Bolsonaro divulgados pelo STF
Conversas de Malafaia com Jair Bolsonaro foram divulgadas em inquérito de Alexandre de Moraes; YouTuber Álvaro Borba abriu disputa
atualizado
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O pastor Silas Malafaia, da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, busca obter junto ao YouTube os ganhos com publicidade gerados por vídeos que reproduzem os áudios de conversas dele com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
As conversas foram divulgadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) depois de serem incluídas pela Polícia Federal (PF) em um inquérito que apura a suposta tentativa do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de interferir na ação penal contra seu pai. O inquérito é de responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes.
A tentativa de Malafaia de ficar com a receita de publicidade dos vídeos foi divulgada inicialmente pelo jornalista e YouTuber Álvaro Borba. Segundo ele, os ganhos seriam revertidos a Malafaia por meio de um serviço terceirizado chamado ONErpm. Mais tarde, outros criadores de conteúdo relataram problemas similares.
Borba abriu uma disputa no YouTube contra a empresa de Silas Malafaia. “Eu incentivo todos os colegas, que trabalham de maneira independente na plataforma, a contestarem a reivindicação de direitos autorais”, disse Borba à coluna.
Áudios de Malafaia seguirão no ar
Na prática, a decisão do YouTube não impede o usuário de assistir os vídeos já feitos, que seguem no ar. Mas cria um incentivo para que os criadores não incluam esses áudios em novas produções, para não terem o conteúdo desmonetizado.
“A motivação pode ser o lucro ou o desejo de limitar de alguma forma a divulgação dos áudios interceptados pela PF, mas tanto faz”, disse Borba.
“Em qualquer uma das duas hipóteses, o resultado é a apropriação indevida de um registro de valor jornalístico e histórico que de maneira alguma é justa diante da política de direitos autorais da plataforma ou do interesse público”, disse ele.
“Eu já vi, no passado, outras iniciativas que tentavam abusar da política de direitos autorais do YouTube, mas essa é de longe a mais criativa e a mais escandalosa. Parabenizo o pastor Malafaia pelo espírito empreendedor, mas estou contestando a reivindicação mesmo assim”, disse Álvaro Borba.
As conversas mostram uma divergência entre Silas Malafaia e a família Bolsonaro sobre como lidar com as sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil.
