
Andreza MataisColunas

Silas Malafaia: “PF virou a Gestapo de Alexandre de Moraes”
Silas Malafaia foi incluído por Alexandre de Moraes em investigação que mira o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP)
atualizado
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Em entrevista ao Contexto Metrópoles na tarde desta quinta-feira (21/8), o pastor Silas Malafaia usou palavras duras para qualificar o vazamento de suas conversas com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo Malafaia, seu celular, agora sob poder da Polícia Federal, revelará “poucas conversas com Eduardo (Bolsonaro), poucas com Flávio (Bolsonaro)”. “Coisa mais estúpida e vergonhosa o que estamos assistindo no Brasil”, disse.
“Esse modus operandi de soltar conversas é crime (…), divulgar conversas privadas. A PF é que detém o controle desses inquéritos. A primeira coisa que vem é que é sigiloso. Agora, a PF de Alexandre de Moraes, que é a Gestapo dele, eles vazam para desviar a atenção”, disse ele.
“Gestapo” é a abreviação de Geheime Staatspolizei (Polícia Secreta do Estado). Era a força de repressão política no regime nazista da Alemanha (1933 a 1945).
“As conversas mostram que eu não sou ‘bolsominion’, que eu não sou um cara manipulado”, disse. “Eles (família Bolsonaro) continuam meus amigos, e nada vai fazer com que isso seja destruído”, disse ele.
No fim da tarde de ontem, o ministro Alexandre de Moraes incluiu o pastor Silas Malafaia na investigação que apura a suposta tentativa de Eduardo Bolsonaro de interferir no processo contra ele e seu pai. Apesar disso, o pastor não foi indiciado pela Polícia Federal, ao contrário de Eduardo e Jair Bolsonaro.
Malafaia também teve todos os seus passaportes cancelados e está proibido de deixar o país.
A inclusão do pastor ocorreu após a PF apresentar trocas de mensagens de áudio entre ele e Jair Bolsonaro, nas quais os dois discutem as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Por decisão de Moraes, a PF está autorizada a vasculhar o celular de Malafaia — ele afirma ter entregue a senha do aparelho aos agentes — e a quebrar seus sigilos bancário, fiscal e telefônico.
O ministro também proibiu o pastor de manter contato com o ex-presidente e com Eduardo Bolsonaro. Na noite de ontem, Malafaia esteve na delegacia da PF no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Diante dos investigadores, permaneceu em silêncio, mas falou com jornalistas após o depoimento.
“Apreender meu passaporte? Eu não sou bandido. Apreender meu telefone? Vai descobrir o quê? Eu ainda dei a senha, porque não tenho medo de nada”, disse.
Ele também criticou a divulgação de suas conversas pelo STF. “Que país é esse que vaza conversas minhas particulares, como se eu instruísse Eduardo: ‘Olha, faz assim, ou faz assado’. Quem sou eu? A posição de Eduardo é dele.”
“É uma vergonha. Que país é este? Que democracia é esta? Eu não vou me calar. Vai ter que me prender para me calar”, acrescentou.
Segundo o STF, Malafaia é investigado por supostamente ter ajudado Eduardo Bolsonaro a praticar crimes de coação no curso do processo e de obstrução da Justiça, ao mobilizar sanções do governo dos Estados Unidos.
Essa articulação de Eduardo com a gestão do republicano Donald Trump teria como objetivo evitar que Jair Bolsonaro fosse condenado na ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023.
Silas Malafaia disse ter perdido viagens aos EUA e a Punta Cana
Na entrevista, Malafaia disse ainda que a decisão do ministro Alexandre de Moraes de reter seu passaporte o impedirá de pregar em uma igreja da qual é pastor nos Estados Unidos. Segundo ele, a decisão também o impedirá de fazer uma viagem de lazer a Punta Cana, na República Dominicana. As declarações foram feitas em entrevista ao vivo no programa Contexto Metrópoles.
“Eu tinha uma viagem… eu tenho igreja em Boston, nos EUA, e que faz uma conferência chamada Viva Boston, e eu ia fazer o casamento da filha do pastor Cristian, que vai se casar, a filha menor”, disse.
“Ia também fazer uma viagem de cinco dias com a minha esposa e cinco casais amigos, que a gente tem um relacionamento de décadas. Íamos até Punta Cana (República Dominicana). Foram essas as duas viagens canceladas”, disse.
Silas Malafaia: Hugo Motta não tem palavra e Paraíba dará resposta
Ao Contexto Metrópoles, Malafaia criticou o presidente da Câmara, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) por não ter pautado a discussão sobre a anistia dos réus do 8 de janeiro na Casa.
“A maioria dos deputados decidiu pela discussão da anistia, e o seu Hugo Motta, que não tem palavra (não pautou). Ele está preso no STF porque há coisas contra a família dele lá. Está fazendo um jogo sujo, vergonhoso e mostrando que não tem palavra. O povo da Paraíba vai dar uma resposta para ele”.
“O Congresso Nacional, que representa o povo, só age por pressão do povo. É o povo que é o supremo poder. Cada manifestação é um tijolinho. Cada vídeo é um tijolinho”, disse Malafaia.
