
Andreza MataisColunas

Lula repete Bolsonaro ao baixar combustível em ano eleitoral
Cinco meses antes da campanha, governo zera tributos — estratégia que o PT chamou de eleitoreira em 2022
atualizado
Compartilhar notícia

A decisão do governo Lula de zerar PIS e Cofins sobre os combustíveis, a cinco meses da campanha eleitoral, segue o mesmo roteiro adotado por seu antecessor, Jair Bolsonaro.
Há coincidência até nas datas. Em 11 de março de 2022, Bolsonaro assinou as primeiras medidas para zerar impostos sobre o diesel e o gás de cozinha. À época, a justificativa era conter a alta do petróleo no mercado internacional provocada pela guerra na Ucrânia.
O “copia e cola” de Lula veio neste 12 de março, sob o argumento de que os preços subiram após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã.
Em 2022, o PT de Lula classificou a iniciativa de Bolsonaro como eleitoreira.
“O presidente passou mais de três anos sem se incomodar com a alta dos combustíveis. Agora resolveu fazer um jogo de cena e prometeu baixar os preços, mas apenas por seis meses, justamente no período eleitoral”, afirmou o senador Humberto Costa (PT-PE) à época.
“A proposta tem validade até 31 de dezembro de 2022. Depois disso, o governo não vai mais compensar os estados e o ICMS certamente voltará a subir. Quando isso ocorrer, as eleições já terão passado e o governo não precisará mais fingir preocupação com o fato de os brasileiros estarem pagando a gasolina mais cara da história do país”, disse o PT em nota oficial. Lula também zerou as alíquotas até dezembro.
Assim como Bolsonaro, Lula adotou a medida em um momento em que pesquisas eleitorais indicam que sua reeleição está ameaçada.
O sociólogo Alberto Almeida, com quem Lula se reuniu recentemente, orientou o governo a adotar iniciativas de forte apelo popular para evitar uma derrota em outubro para seu rival Flávio Bolsonaro (PL).
Em entrevista ao jornal O Globo, o sociólogo citou justamente o episódio de 2022 como exemplo do que fazer.
“O que fez o Bolsonaro em 2022? Baixou o preço dos combustíveis com canetadas. Ele estava numa situação muito pior do que a de Lula neste momento e quase venceu a eleição naquele ano”, afirmou.
