Andreza Matais

Impasse do IOF deve ser resolvido no PL de isenção do Imposto de Renda

Perda de arrecadação com IOF poderá ser compensada com mudanças no projeto que isenta Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil

atualizado

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Arthur Lira comprou mansão de R$ 10 milhões após deixar presidência da Câmara dos Deputados
1 de 1 Arthur Lira comprou mansão de R$ 10 milhões após deixar presidência da Câmara dos Deputados - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

A solução para o impasse do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) deve vir na tramitação do projeto de lei que prevê isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil, relatado pelo deputado e ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL).

Segundo apurou a coluna em conversas com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), durante o Fórum Jurídico de Lisboa – o “Gilmarpalooza” –, a alternativa para compensar a derrubada da alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) pode estar em mudanças nas regras de isenção do IR.

A perda de arrecadação poderá ser compensada tanto por uma alteração na faixa de isenção quanto por algum mecanismo que aumente a receita obtida com o IR – como, por exemplo, o aumento da alíquota para quem ganha mais.

Outra alternativa em análise é reduzir o aumento proposto pelo governo no IOF. O decreto original do governo aumentou para 3,95% ao ano o crédito contratado por PJ. Com isso, um empréstimo de R$100 mil por um ano terá até R$3.950 de IOF, contra os R$1.880 anteriores.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, participou de um painel no Fórum de Lisboa pouco depois de decidir sobre o tema, nesta sexta-feira. Em seu despacho, Moraes suspendeu tanto os decretos do presidente Lula que aumentavam o IOF quanto os efeitos da decisão do Congresso que derrubou esse aumento, na semana passada.

Moraes também convocou governo e Congresso para uma sessão de conciliação. Participarão das discussões, o advogado-geral da União, Jorge Messias; e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB); e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

A interlocutores, Moraes afirmou ter inovado ao propor uma conciliação entre os dois Poderes sobre um tema discutido diretamente na Corte. Estava bem-humorado e brincou com o ministro Gilmar Mendes sobre o apelido “Gilmarpalooza” do evento.

Apesar do que disse Moraes, há precedentes de casos em que o Supremo Tribunal Federal intermediou conflitos entre diferentes esferas de governo. A Corte atuou dessa forma em meados de 2020, quando o então presidente Jair Bolsonaro (PL) reduziu as alíquotas do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). O tributo é repassado aos estados, o que causou perda de arrecadação e levou os governadores a recorrerem ao STF.

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